Agência AFP
WASHINGTON - A Casa Branca cancelou nesta sexta-feira uma reunião prevista para abordar o tema da prisão militar de Guantânamo em função do vazamento para a mídia de que se estava perto de se decidir pelo fechamento do centro de detenções em Cuba.
A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, negou que houvesse uma decisão iminente quanto ao fechamento da prisão militar, mas ressaltou que o presidente George W. Bush mantém a intenção de fechar o centro "assim que for possível".
- Era um encontro privado. Nós nos reunimos para discutir este assunto de forma regular e freqüente - disse Perino.
No entanto, admitiu que havia um encontro previsto para a sexta-feira em que participariam diferentes agências federais para discutir o tema da prisão de Guantânamo, onde se encontram detidos 375 suspeitos presos na "guerra contra o terrorismo".
A maioria dos prisioneiros não foi acusada oficialmente.
A porta-voz não explicou os motivos para o cancelamento da reunião na última hora na quinta-feira. Simplesmente disse que era um encontro normal.
Enquanto isso, as reformas no centro de detenção do Afeganistão estão sendo efetivadas. Quando completadas, permitirão que alguns dos detidos em Guantânamo sejam transferidos para lá, "mas isso ainda vai levar um tempo", garantiu a porta-voz.
- Esperamos poder transferir dezenas de prisioneiros de Guantânamo para o Afeganistão no futuro próximo, mas não é nada iminente - acrescentou.
Nesta sexta, o líder de um grupo rebelde afegão preso foi transferido para Guantânamo, Cuba, segundo um porta-voz do Pentágono.
Haroon al-Afghani, comandante do grupo rebelde Hizb-i Islami Gulbulddin (HIG), foi transferido para Guantânamo do Afeganistão, onde estava preso em um centro de detenção militar americano, disse Bryan Whitman, um porta-voz do Pentágono.
- Ele liderou diversas células terroristas do HIG, além de realizar ataques com explosivos caseiros na província de Nangarhar, e se acredita que mantenha contato regular com altos comandantes da Al-Qaeda e da liderança do HIG - disse Whitman.
Whitman afirmou que al-Afghani foi capturado na província de Nangarhar, mas não especificou quando e por quanto tempo havia sido detido pelo exército americano no Afeganistão.
Também não se sabe se o governo afegão autorizou a transferência.
Al-Afghani é o prisioneiro número 16 a ser transferido para Guantânamo desde setembro, quando o presidente George W. Bush transferiu um grupo tido como prisioneiros de alto valor para a prisão.
Guantânamo foi aberta em janeiro de 2002 para abrigar suspeitos de estarem vinculados com a Al-Qaeda ou os talibãs afegãos.