Lula ironiza mudança de postura de Bush sobre clima

Portal Terra

BERLIM - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, em Berlim, que é um avanço o fato de o presidente americano, George W. Bush, se envolver na discussão sobre o aquecimento global, mas ironizou a sua mudança de postura. - É um avanço o presidente Bush decidir discutir um assunto que não tinha nem interesse. Não sei se ele mudou depois de ter visto o filme do Al Gore - disse Lula, referindo-se ao documentário sobre mudanças climáticas do adversário político de Bush.

O presidente falou com jornalistas após participar de uma reunião do G5 (Brasil, Índia, China, México e África do Sul), que discutiu, entre outros temas, propostas para combater as mudanças climáticas.

Apesar da brincadeira, Lula criticou a posição "voluntarista" do presidente americano, que na semana passada propôs uma reunião de chefes de Estado para discutir o assunto, mas continua resistindo à adoção de metas obrigatórias para a redução das emissões de gases poluentes associados ao aquecimento global.

- O que ele quer é um clube de amigos - disse Lula. Segundo o presidente, que também se encontrou com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e líderes de México, Índia, China e África do Sul (que, juntos com o Brasil, integram o G5) nesta quinta-feira, "o Brasil está convencido de que a melhor solução (para o desafio climático) é respeitar as decisões dos órgãos multilaterais".

Lula também voltou a cobrar dos países ricos - responsáveis por 66% das emissões, segundo ele - maiores sacrifícios para conter os desequilíbrios climáticos. - Não aceitamos que os países pobres tenham que fazer os sacrifícios - disse Lula. - Os países ricos precisam assumir a responsabilidade em despoluir o planeta que eles poluíram.

O presidente também voltou a defender os biocombustíveis como uma solução que, além de ajudar no combate ao aquecimento global, pode gerar empregos em países pobres.

Quanto ao suposto impacto ambiental da produção de cana-de-açúcar para etanol, Lula disse que o Brasil não aceita o argumento de que a produção de etanol estaria ameaçando a Amazônia. Segundo o presidente, o Brasil tem terras suficientes para outros cultivos e apenas 6% delas estão tomadas pelo plantio de cana. - A Amazônia é nossa - disse o presidente.