Crise em Nahr al-Bared se estende para acampamento no sul do Líbano

Agência EFE

TRÍPOLI - Os piores presságios parecem ter se cumprido e a crise no campo de refugiados de Nahr al-Bared se estendeu para o maior acampamento palestino do Líbano, Ain el-Helu, embora a situação não esteja tão violenta quanto no outro campo.

Em Ain el-Helu, localizado perto de Sidon (sul), o grupo radical islâmico Jund al-Sham atacou, no domingo à noite, um posto de controle do Exército, o que deu origem a confrontos descontínuos durante a noite e nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira.

Porém, com o passar das horas voltou a reinar uma calma aparente no campo, onde vivem cerca de 45 mil palestinos, e as milícias do grupo palestino Fatah al-Islam tomaram o controle das ruas.

- A situação está tranqüila e estamos prestes a resolver a crise - afirmou o general libanês Hash Esleinan, acrescentando que o Exército está trabalhando em cooperação com as facções palestinas.

- Os palestinos estão dominando a situação dentro do acampamento e o Exército os apóia de fora - disse o general.

Esta reação contrasta com a intensa e violenta perseguição realizada pelo Exército contra os milicianos sunitas do Fatah al-Islam no campo de Nahr al-Bared desde o dia 20 de maio, após os guerrilheiros terem atacado um posto militar.

O Líbano tem consciência de que os confrontos nos 12 acampamentos palestinos no país e que desencadearam uma crise em Nahr al-Bared podem ter conseqüências imprevisíveis caso não sejam combatidos rapidamente.

Por isso, a tática usada para enfrentar este novo foco de violência em Ain el-Helu foi mais prudente, deixando a iniciativa nas mãos palestinas e tentando evitar um conflito generalizado.

O dirigente do Fatah al-Islam no campo de Ain el-Helu, Munir Majdal, disse que as negociações de um cessar-fogo avançaram numa reunião hoje de manhã entre as facções palestinas, mas que, até o momento, não houve nenhum resultado concreto.

Além disso, Majdal admitiu que os civis foram retirados do acampamento e levados à cidade vizinha de Sidon, mas não soube precisar o número de evacuados.

Enquanto isso, no norte, os confrontos em Nahr al-Bared perderam intensidade e se limitam a esparsos tiroteios entre as forças armadas e as milícias.

As organizações humanitárias aproveitaram para retirar um ferido do campo, o último entre as 17 pessoas resgatadas na últimas horas.

No entanto, apesar deste período de tranqüilidade, continua piorando a situação dos civis que permanecem em Nahr al-Bared (entre 4 mil e 7 mil, de acordo com fontes).

A porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Virginia de la Guardia, afirmou que, apesar de as instituições humanitárias fornecerem 41 toneladas de alimentos e 120 mil litros de água, a situação em Nahr al-Bared é cada vez mais preocupante.

- O acesso é muito complicado, pois há restos de explosivos no campo, ainda existem franco-atiradores e nos deparamos com algumas bombas-armadilhas - descreveu Guarda.

O conflito em Nahr al-Bared começou há duas semanas. Até agora, 110 pessoas já morreram devido aos confrontos, segundo os números fornecidos pela ONU, mas pode haver mais mortos sob os escombros.