Cartola do Boca e ministro de Kirchner fazem 2º turno na capital

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BUENOA AIRES - O centro-direitista Mauricio Macri, empresário e dirigente do time de futebol Boca Juniors, venceu no domingo o primeiro turno da eleição para prefeito de Buenos Aires, mas ainda terá de disputar o segundo turno contra um protegido do presidente Néstor Kirchner, segundo dados oficiais.

O resultado final será essencial para delinear o rosto da oposição nos próximos quatro anos, num país em que o cenário político é dominado pelo governismo, ainda confiante em derrotar Macri no segundo turno.

Com 98,96 por cento das urnas apuradas, Macri tinha 45,62 por cento, seguido de longe por Daniel Filmus, atual ministro da Educação, com 23,77 por cento. O atual prefeito, Jorge Telerman, ficou em terceiro, com 20,7.

Macri já declarou que não fará alianças para o segundo turno.

- Falamos desde o princípio que não apostamos nas alianças de cúpula, disse nesta segunda-feira, em entrevista coletiva.

- Às pessoas que decidiram votar em outros candidatos, dizemos que aqui há um grupo de pessoas sãs, que querem trabalhar por um lugar melhor e que não tenham medo. Não há nada a temer, somos gente que dialoga.

O segundo turno acontecerá no dia 24 de junho.

Será o mesmo cenário de 2003, quando Macri enfrentou no segundo turno o então prefeito portenho, Aníbal Ibarra, que venceu com o apoio explícito de Kirchner.

Filmus se mostrou otimista em reverter a forte desvantagem nestas três semanas de campanha.

- Vamos fazer o debate do modelo, de quem são os que impuseram a fome ao povo, os que marginalizaram, os que excluíram, afirmou, repetindo as críticas comuns do governo a Macri, chamado de elitista e vinculado ao neoliberalismo da década de 1990, que na opinião de muitos arruinou a Argentina.

Esta é a quarta eleição direta para a prefeitura da Capital Federal, numa das votações mais importantes de uma série que terminará em outubro com a eleição presidencial, que segundo as pesquisas já está praticamente definida em favor do Partido Justicialista (peronista, de Kirchner).