Agência EFE
ROMA - O primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, criticou as contínuas divergências entre os partidos que formam a coalizão governamental de centro-esquerda, em entrevista publicada nesta quarta-feira na imprensa italiana.
Segundo Prodi, uma das causas da derrota nas eleições administrativas parciais de 27 e 28 de maio foi a má imagem oferecida pelo Governo, com suas contínuas disputas internas.
- Como podemos ter uma imagem de bom Governo quando os ministros e os aliados da maioria são os primeiros a desmontar qualquer decisão que se toma?, perguntou Prodi na entrevista ao jornal 'La Repubblica'.
Diante das contínuas disputas entre os aliados, Prodi afirmou que "o Governo não vai longe se não se unir em torno das suas próprias iniciativas'.
Para Prodi, a situação chegou a um ponto em que basta anunciar uma decisão 'para que alguém da coalizão critique, querendo dar visibilidade a seu partido'.
Ele defendeu 'mais coesão' e 'menos brigas' entre as diferentes partes que formam a coalizão. A União reúne desde democratas-cristãos a comunistas.
O chefe de Governo explicou que, apesar de as rígidas medidas fiscais, segundo os analistas, terem levado a uma perda de consenso, não mudará sua política econômica. Ele argumentou que é necessário continuar saneando as contas públicas.
- Temos uma dívida pública de 106% do Produto Interno Bruto, uma evasão fiscal indecente, um crescimento insuficiente e além disso uma lei eleitoral escandalosa. Se o país tiver consciência de tudo isto, poderemos continuar trabalhando. Se não, que venham os próximos, disse.
O líder da oposição conservadora, Silvio Berlusconi, afirmou na última terça-feira, após os resultados das eleições municipais e provinciais parciais, que quer pedir ao Presidente da República o fim do Governo de Prodi.
- Pois que peça. Sua coalizão em cinco anos só produziu desastres. Nós fizemos crescer o PIB em um ano mais do que eles em cinco, respondeu Prodi.