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Líbano indicia 20 por terrorismo em campo de refugiados

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REUTERS

NAHR AL BARED - O Líbano indiciou na quarta-feira 20 membros da Fatah al-Islam por terrorismo, enquanto tropas combateram pelo 11º dia os 'jihadistas' desse grupo em um campo de refugiados palestinos.

Fontes judiciais disseram que as acusações contra 19 libaneses e um sírio, todos presos, podem levar à pena de morte e estão ligadas aos combates em torno do campo de Nahr al-Bared, que já matou 79 pessoas -- sendo 34 soldados, 27 militantes e 18 civis.

As autoridades libanesas culpam o grupo por começar os confrontos atacando posições do Exército no campo e perto da cidade de Trípoli (norte) em 20 de maio.

Esses são os piores confrontos no Líbano desde o fim da guerra civil (1975-90).

Os combates continuam esporadicamente. Durante a madrugada, segundo testemunhas, houve o momento mais violento em uma semana, com disparos de artilharia e morteiros durante várias horas, situação que havia se acalmado nas primeiras horas de quarta-feira.

O governo libanês exige a rendição dos militantes. A Fatah al-Islam diz estar agindo em defesa própria e rejeita a exigência de entregar seus combatentes. Um acordo árabe de 1969 impede o Exército de entrar nos 12 campos de refugiados palestinos no Líbano, onde vivem 400 mil pessoas.

O governo deu aos líderes palestinos no Líbano uma chance de resolver o impasse, devido à preocupação de que os refugiados vejam as ações militares como um ataque à própria comunidade.

Mais de 25 mil dos 40 mil moradores do campo já fugiram, a maioria para o vizinho campo de Beddawi, onde organizações humanitárias realizam suas atividades.

Mais alimentos, remédios e água foram mandados para Nahr al-Bared, cujos habitantes que ficaram estão sem água e energia, segundo testemunhas.

A perspectiva de uma solução militar definitiva para o impasse foi minimizada pelo governo nos últimos dias, já que isso poderia desencadear violência em outros campos de refugiados, mesmo que a Fatah al-Islam tenha pouco apoio entre os palestinos.

Membros do governo libanês, adversário da Síria, descrevem a Fatah al-Islam como uma ferramenta da inteligência de Damasco, embora o governo sírio negue qualquer vinculação com o grupo.