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Argentina acredita que convencerá Reino Unido a negociar Malvinas

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Agência EFE

JOHANESBURGO - A Argentina acredita que a "perseverança diplomática' e o apoio de países aliados conseguirão convencer o Reino Unido a dar início a negociações diretas com o objetivo de resolver a disputa sobre a soberania das ilhas Malvinas (Falklands).

A informação é do embaixador argentino Eduardo Airaldi, enviado especial do Argentina para as ilhas Malvinas e temas do Atlântico Sul, que chegou na segunda-feira à África do Sul para uma visita de três dias.

Airaldi foi ao país explicar às autoridades de Pretória a posição argentina sobre o tema das Malvinas, já que a África do Sul é um país estratégico no continente e fundamental na manutenção da paz na região e no Atlântico Sul.

Desde 1833, a Argentina reivindica soberania sobre as ilhas Malvinas, que foram ocupadas pelo Reino Unido.

Apesar de em 1965 a ONU ter pedido às duas partes que resolvam a controvérsia mediante conversações diretas, Londres se recusou a fazer isto até agora.

Em 1982, os dois países se enfrentaram em uma guerra que deixou 649 mortos no lado argentino e 255 no britânico e que fez com que os países rompessem relações diplomáticas, só reatadas em 1990.

Apesar de terem avançado e resolvido temas relacionados às Malvinas, os dois Governos não chegaram a um acordo sobre a soberania das ilhas. O Reino Unido se recusa a discutir o assunto.

Airaldi acrescentou que, com o objetivo de convencer Londres a sentar-se à mesa de negociação, Buenos Aires só pode 'persistir no caminho diplomático' e pedir reiteradamente a aliados comuns que ajudem 'para que a razão seja imposta e o Reino Unido concorde com um processo de negociações'.

- Levará seu tempo, suas etapas. A Argentina resolveu um grande número de disputas com seus países vizinhos sem problemas, e (a controvérsia sobre as Malvinas) é muito mais simples que muitos conflitos que há no mundo - acrescentou.

O diplomata argentino disse que, com a saída do primeiro-ministro, Tony Blair, do Governo britânico, 'seria uma presunção' prever se haverá alguma mudança no Reino Unido neste tema.

- É uma questão de ordem doméstica britânica - disse.

Questionado sobre a possibilidade de que possam surgir mediadores que consigam aproximar as duas partes, Airaldi afirmou que 'o melhor é o diálogo tête-à-tête', já que os mecanismos da ONU sobre o tema "são suficientes para dois Estados democráticos'.

- Cooperamos estreitamente com o Reino Unido, e somos igualmente responsáveis para resolver esta disputa entre nós - ressaltou o diplomata.

Airaldi chegou à África do Sul na segunda-feira para uma visita que termina hoje e que permitiu que o argentino conversasse com as autoridades de Pretória sobre a disputa e com especialistas em relações internacionais do país africano.

A agenda incluía reuniões com o chefe do Departamento da América Latina do Ministério das Relações Exteriores da África do Sul, Bob Cloete, e com o presidente da Comissão de Relações Internacionais do partido governante Congresso Nacional Africano (ANC), Ibrahim Ibrahim.

O embaixador também reuniu-se com analistas de relações internacionais de dois institutos sul-africanos.

- Acreditamos que é preciso manter países como a África do Sul a par da evolução da disputa, e, principalmente, informar sobre a permanente disposição argentina de cumprir as resoluções da ONU e a sistemática recusa do Reino Unido de restabelecer negociações bilaterais para resolver a disputa da soberania (das Malvinas) - acrescentou.

A viagem de Airaldi à África do Sul ocorreu às vésperas da chegada de Blair ao país africano.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro britânico dará início a uma visita de dois dias para despedir-se do Governo de Pretória.