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BERLIM - A secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, disse na terça-feira que seria um grande equívoco retirar a exigência de que o Irã suspenda o programa de enriquecimento de urânio, e que deve haver mais pressão sobre o país.
O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed El Baradei, desagradou aos EUA e a outros na semana passada ao propor um acordo que limitaria o enriquecimento de urânio do Irã aos níveis atuais, ao invés de exigir a suspensão total do programa, que o Ocidente diz estar destinado ao desenvolvimento de armas nucleares, o que Teerã nega repetidamente.
Rice disse a jornalistas que tal estratégia não funcionaria e deixou claro que a negociação cabe aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), mais a Alemanha, e não ao diretor da AIEA.
- Acho que seria um grande equívoco - disse ela a jornalistas que a acompanham à reunião de ministros do G8 na Alemanha, onde o Irã será um dos principais temas.
- Somos firmes sobre a necessidade de suspender e somos firmes sobre a necessidade de continuar a aumentar a pressão - acrescentou.
O Irã diz que não vai suspender o enriquecimento, pois afirma ter direito à energia nuclear para fins civis.
Diplomatas dizem que El Baradei não estava tentando desprestigiar as potências ocidentais ao propor um acordo, e sim que considerou que a abordagem não estava funcionando e que teme que o impasse com o Irã leve a um conflito mais amplo no Oriente Médio.
Na semana passada, a AIEA divulgou relatório dizendo que o Irã estava começando a enriquecer urânio em quantidades substanciais em 1.300 centrífugas, e que provavelmente teria 3.000 delas instaladas até meados do ano, criando as bases para uma produção industrial de combustível nuclear, que pode ser usado tanto em usinas quanto em armas.
O Irã pode enfrentar uma terceira leva de sanções por ignorar um novo prazo do Conselho de Segurança da ONU, na semana passada, para suspender o enriquecimento.
Rice não quis dizer se há sanções adicionais sendo cogitadas, mas disse estar esperando o resultado de uma reunião entre o chefe da diplomacia da União Européia, Javier Solana, e o negociador-chefe do Irã, Ali Larijani, na quinta-feira em Madri.
- Podemos então avaliar se simplesmente continuamos e avançamos, reforçamos as sanções que já estão aí, ou se há novas categorias que precisam ser consideradas - disse ela.
Ela também deixou claro que as sanções não têm de ser impostas apenas pelo Conselho de Segurança para serem eficazes, citando medidas financeiras dos EUA para desestimular empresas de fazerem negócios com o Irã.
- Não somos dependentes só da trilha do Conselho de Segurança - disse ela. - Há coisas que podem ser feitas fora do Conselho de Segurança se escolhermos assim.
Os EUA vêm pressionando empresas energéticas e bancos da Europa a não fazerem negócios com o Irã, passando o recado de que a reputação das empresas estará ameaçada com isso. Tal campanha, segundo Rice, já está tendo efeitos sobre a economia iraniana.