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Para China, sanções dos EUA trariam violações dos direitos humanos

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Agência EFE

PEQUIM - O representante especial da China para o conflito de Darfur, Liu Guijin, assegurou nesta terça-feira que as possíveis sanções americanas contra o Sudão ou qualquer outra medida de força contra Cartum 'só produziriam mais deslocados e novas violações de direitos humanos'.

- As sanções não são conducentes a uma solução, somente farão com que o assunto se torne mais complicado, disse em entrevista coletiva Liu, recentemente nomeado pelo Governo chinês e que acaba de voltar de uma visita oficial ao Sudão.

As sanções americanas, vazadas ao jornal 'The Washington Post' e solicitadas hoje pelo presidente George W. Bush, buscam aumentar a pressão contra o Governo do Sudão por seu papel no genocídio de Darfur, onde desde 2003 mais de 200 mil pessoas morreram e mais de dois milhões se tornaram deslocados.

O representante especial pediu paciência à comunidade internacional para poder resolver o conflito através do diálogo e o Plano Annan, atualmente na segunda fase e que numa terceira espera enviar uma maior força internacional de pacificação para Darfur.

Liu condenou as sanções contra o Sudão e assegurou que os investimentos que nações como a China realizam no país africano (açudes, explorações petrolíferas, etc) 'ajudarão a pôr fim ao conflito', pois contribuem com o desenvolvimento econômico sudanês.

- A cooperação entre Sudão e China foi politizada sem nenhuma justificativa, destacou Liu, que lembrou que petrolíferas européias (como a francesa Total) há anos estão interessadas em investir no país africano.

Liu assegurou que a China enviou US$ 10 milhões em assistência humanitária ao Sudão - na semana passada foi entregue a última remessa da ajuda na sua visita a campos de refugiados em Darfur - e enviará 275 engenheiros como parte da missão de paz estipulada na segunda fase do Plano Annan.

A China - o maior importador de petróleo sudanês - é acusada por alguns membros da comunidade mundial, especialmente políticos de países como França e Estados Unidos, de frear medidas internacionais contra o Governo do Sudão, estendendo assim o conflito e as violações dos direitos humanos.

No entanto, Liu afirmou que o pior do conflito passou e estão ocorrendo 'mudanças positivas no Governo do Sudão', como a maior disponibilidade em aceitar missões de paz no território.

O conflito armado de Darfur explodiu em fevereiro de 2003, quando os movimentos rebeldes de etnia africana usaram armas contra o Governo de Cartum, dominado pela minoria árabe.

O representante chinês também pediu que a comunidade internacional não tente vincular Darfur aos Jogos Olímpicos. Alguns setores políticos na França e nos Estados Unidos ameaçaram realizar um boicote esportivo a Pequim 2008 caso o país continue apoiando o Governo sudanês.