Agência EFE
JERUSALÉM - O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, alegou nesta terça-feira que seu Governo teria tido êxito durante a guerra no Líbano contra a milícia xiita Hisbolá durante um debate na Knesset sobre o fracasso da ação e venceu uma moção de desconfiança no Parlamento.
Um terço dos deputados tinha pedido a renúncia de Olmert e seu gabinete.
Segundo parlamentares, alguns deputados do Partido Trabalhista, que faz parte do Governo, abandonaram o plenário no começo da votação, por fazerem parte do grupo que exige a saída do primeiro-ministro. Olmert se mostrou até 'orgulhoso' dos resultados do ataque contra o Hisbolá.
Os moradores da Galiléia no norte de Israel perto da fronteira com o Líbano, 'que viam toda hora, minuto a minuto, um miliciano do Hisbolá apontando um fuzil, não vêem mais.
Essa situação deixou de existir', afirmou Olmert. A condução da guerra foi investigada e condenada pela Comissão Winograd, criada pelo próprio governo.
Durante o conflito, caíram sobre o norte de Israel 4.000 foguetes do Hisbolá e a operação israelense não conseguiu conter os disparos.
A renúncia do primeiro-ministro é exigida por diferentes setores políticos e reservistas que sofreram os erros do Governo e das autoridades militares durante uma guerra que durou 34 dias entre julho e agosto do ano passado.
Nesta terça-feira, Olmert se viu forçado a discutir o relatório da Comissão por um pedido de 40 parlamentares.
O relatório foi divulgado no início deste mês. Os que exigem a renúncia de Olmert e do ministro da Defesa, Amir Peretz, conseguiram reunir mais de 120.000 manifestantes em uma concentração realizada em Tel Aviv.
Em janeiro, o então chefe das Forças Armadas, general Dan Halutz, renunciou após concluir uma investigação interna dos erros cometidos durante o conflito.
Peretz, que na segunda-feira perdeu a liderança do Partido Trabalhista em eleições internas, já anunciou que sairá do cargo em breve.
Olmert se recusa a renunciar, como confirmou hoje na Knesset, com o argumento de que as mudanças para não voltar a incorrer nos erros detectados pela Comissão Winograd devem ser feitas por seu Governo.
Para isso, foi designado um comitê específico, presidido pelo general reformado Amnon Lipkin-Shahak, ex-chefe das Forças Armadas.
Alguns veículos de imprensa políticos, inclusive no partido Kadima (governista), supõem que Olmert renunciará nos próximos meses, até setembro, quando a Comissão Winograd completar o relatório.
O tema do debate parlamentar era, justamente, o da recusa do primeiro-ministro em renunciar após o fracasso de sua gestão, a de Peretz e do general Halutz, como consta na primeira parte do relatório Winograd.