Agência EFE
MONTEVIDÉU - A principal central sindical do Uruguai convocou nesta terça-feira uma paralisação geral de cinco horas para reivindicar do Governo melhores salários e recursos para educação e saúde do país.
Já os professores e funcionários da educação pública decidiram manter a greve por 24 horas.
Fontes da Plenária Intersindical-Convenção Nacional de Trabalhadores (PIT-CNT) disseram à Efe que, das 9h às 13h (mesmo horário de Brasília) as repartições públicas ficaram vazias, os bancos pararam de funcionar e os hospitais apenas atenderam casos urgentes e emergências.
A central sindical é tradicionalmente aliada do atual partido governista, a Frente Ampla.
O Governo não forneceu números sobre o alcance da greve.
Professores e acadêmicos exigem que o Governo cumpra a promessa de destinar 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) à educação.
Na prestação de contas e no orçamento para o próximo ano que o Governo acaba de enviar ao Parlamento, há um aumento de recursos para a educação, que no total receberá pouco mais de 4% do PIB.
No entanto, Juan Castillo, coordenador da central sindical, afirmou que o Governo 'continua discutindo a educação como uma despesa e não como um investimento'.
- É uma coisa que não mudou dos Governos anteriores e preocupa o movimento sindical - acrescentou Castillo em declarações à imprensa local.
Durante a greve, aproximadamente mil pessoas caminharam pelo centro de Montevidéu até Ministério da Economia e Finanças, onde solicitaram ao titular da pasta, Danilo Astori, uma política econômica que 'torne viável o país produtivo' e 'não privilegie só o investimento estrangeiro'.
Além disso, exigiram políticas que ajudem a criação de postos de trabalho e uma 'defesa do salário dos trabalhadores' devido ao recente aumento da inflação.
Os porta-vozes da PIT-CNT acusaram alguns empresários de influenciar uma alta 'artificial' dos preços com políticas especulativas, especialmente dos alimentos.
Manifestantes também pediram a anulação da Lei de Caducidade, que impede que militares e policiais que violaram direitos humanos na ditadura (1975-1985) sejam julgados.
Edgardo Oyenart, do sindicato das indústrias farmacêuticas, afirmou que vai iniciar uma campanha para coletar assinaturas para viabilizar o projeto.
Oyenart disse que o Exército 'ocupou' o país e 'é o responsável pelos desaparecimentos e torturas que ainda hoje se mantêm'.
Nas últimas semanas, a anulação da lei suscitou uma polêmica interna na coalizão governista liderada pela Frente Ampla.
Grupos majoritários e o próprio presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, disseram que a lei foi referendada pela população nas urnas, em 1989, e continua firme.
Vázquez foi o primeiro presidente do Uruguai a ordenar a busca de corpos de uruguaios presos ou desaparecidos durante a ditadura. Na operação, foram realizadas escavações em quartéis, que no ano passado permitiram localizar os cadáveres de duas pessoas.
Na semana passada, o Governo anunciou que em menos de um mês as escavações vão ser retomadas após receber nova informação de possíveis locais de desova, também em instalações militares.