Agência EFE
LONDRES - O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, e o líder da Líbia, coronel Muammar Kadafi, reforçaram nesta terça-feira a cooperação bilateral na luta antiterrorismo, na Defesa e no comércio, em reunião realizada no país norte-africano.
Após o encontro, na localidade litorânea de Sirte, Blair qualificou a conversa com Kadafi como 'positiva e construtiva'.
O chefe do Governo britânico fez, na Líbia, a primeira escala de sua última viagem como primeiro-ministro pela África, já que, no dia 27 de junho, deixará o cargo.
- A relação entre o Reino Unido e a Líbia se transformou completamente nos últimos anos - disse Blair, que se reuniu com o dirigente líbio em uma tenda beduína instalada no deserto.
- Agora, temos uma cooperação mais sólida em (matéria de) antiterrorismo e Defesa - explicou.
No âmbito comercial, o primeiro-ministro comemorou o retorno da companhia petrolífera britânica British Petroleum (BP) à Líbia, país que tinha abandonado em 1974.
Coincidindo com a chegada do líder trabalhista, a empresa nacional energética líbia anunciou que a BP vai investir cerca US$ 900 milhões em tarefas de prospecção de hidrocarbonetos no país.
Em 2004, Blair se transformou no primeiro governante do Reino Unido a visitar a Líbia em 60 anos.
A viagem foi feita depois que Trípoli renunciou à fabricação de armas de destruição em massa. O país tinha decidido, também, entregar os agentes líbios acusados de colocar uma bomba em um avião da Pan American World Airways (Pan Am), que explodiu em pleno vôo, em Lockerbie, na Escócia, em 1988.
No fim da reunião com Kadafi, ele se dirigiu a um edifício público de Sirte, onde encontrou representantes das famílias das crianças líbias que foram contaminadas com o vírus da aids.
A Justiça líbia condenou à morte, em 2004, as cinco enfermeiras búlgaras e o médico palestino acusados de contaminar mais de 400 crianças líbias que estavam hospitalizadas na cidade de Benghazi. Delas, 52 morreram.
Os funcionários do hospital negaram a acusação, e seus advogados sustentaram que as más condições do centro hospitalar de Benghazi explicavam a contaminação. A afirmação recebeu o aval de especialistas médicos internacionais.
Após sua passagem pela Líbia, o primeiro-ministro irá para Serra Leoa, antiga colônia britânica, onde, em 2000, ele ordenou a realização das operações militares mais bem-sucedidas de seu Governo.
Na quinta e na sexta-feira, Blair estará na África do Sul, onde se reunirá com o presidente do país, Thabo Mbeki.
Blair fará um discurso, que, segundo informações antecipadas por fontes de seu escritório, insistirá na necessidade da paz e do bom Governo para melhorar a vida dos cidadãos do continente africano, castigado pelas guerras interétnicas e pelos desastres naturais.
Segundo fontes oficiais, um dos temas que o primeiro-ministro também deve tratar é a crise humanitária em Darfur, no Sudão. Ele falará dos conflitos em suas reuniões com os líderes africanos.
Outro assunto importante que o chefe do Governo britânico deseja abordar é o aquecimento global.
Segundo especialistas, 250 milhões de africanos poderiam sofrer as conseqüências da escassez de água no continente até o ano 2020, como conseqüência de mudanças climáticas.