ASSINE
search button

Suicídio de universitários alerta autoridades na China

Compartilhar

Agência EFE

PEQUIM - O suicídio de 10 universitários desde o início de maio pôs em evidência a pressão excessiva à qual são submetidos os estudantes chineses, não só acadêmica mas também econômica e familiar, segundo autoridades de educação citadas pelo jornal 'China Daily'. Entre março e maio, os universitários enfrentam grande pressão. Muitos procuram trabalho, esperam os resultados dos exames para começar estudos de pós-graduação ou preparam dissertações, explicou Hu Deng, diretor do Centro de Assessoria Psicológica da Universidade Renmin.

Entre os suicídios registrados em maio, houve o de um estudante de doutorado que preparava sua tese e se atirou do décimo-primeiro andar de um prédio. A pressão acadêmica, os conflitos familiares, as dificuldades econômicas e a frustração ao se depararem com um mercado de trabalho que não cumpre as expectativas são as preocupações mais comuns dos universitários chineses, segundo Zhang Yanping, vice-diretora do Centro de Prevenção de Suicídios de Pequim.

Filhos únicos em muitas ocasiões, os jovens enfrentam ainda a pressão de atender aos sacrifícios que suas famílias fazem para que eles possam estudar. A falta de capacidade para enfrentar situações adversas é um problema comum e o sistema de educação, orientado exclusivamente para exames, 'descuidou durante muito tempo da saúde mental dos estudantes', diz Hu.

- Em vez de procurar nossa ajuda, os estudantes com problemas psicológicos tendem a ocultá-los por medo de afetar o futuro dos estudos e do emprego - explicou o especialista. Ele pesquisou vários casos de suicídios entre os universitários do país.

A China registra o maior número de suicídios de todo o planeta, com 280 mil por ano. Mais da metade deles é cometida pela ingestão de pesticidas, o que este mês levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a pedir que o Governo controle o uso destes produtos.