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Palestinos negociam fim de impasse no Líbano

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REUTERS

BEIRUTE - Líderes palestinos tentaram na segunda-feira colocar fim ao violento impasse entre o Exército libanês e militantes islâmicos abrigados em um campo de refugiados que se transformou no palco da pior batalha interna ocorrida no país desde a guerra civil.

Preocupados com a possibilidade de a violência espalhar-se para outros campos palestinos, o governo libanês vem permitindo que facções palestinas tentem negociar um acordo com o grupo Fatah al-Islam, que desde 20 de maio enfrenta o Exército no campo Nahr al-Bared.

O pior conflito interno ocorrido no Líbano desde a guerra civil (1975-1990) matou ao menos 78 pessoas, entre as quais 33 soldados, 27 militantes e 18 civis.

Disparos de metralhadora de grosso calibre puderam ser ouvidos durante a noite. Mas os combates cessaram pela manhã, contaram testemunhas.

O Exército libanês, já sobrecarregado, não tem conseguido desferir um golpe fatal contra os militantes a partir das posições que ocupa, ao redor do campo. Os militares não podem ingressar na área devido a um acordo selado por vários líderes árabes em 1969.

Abu Emad al-Refaie, representante no Líbano do grupo palestino Jihad Islâmica, afirmou à Reuters que as facções palestinas não tinham ainda chegado a um acordo sobre 'como, pacificamente, colocar fim ao fenômeno Fatah al-Islam'.

O governo libanês teme a possibilidade de novas ações militares detonarem conflitos em outros campos de refugiados palestinos no Líbano, áreas autônomas nas quais vivem cerca de 400 mil pessoas.

- O que está segurando o Exército é a percepção de que poderíamos enfrentar um problema de dimensões nacionais, afirmou Timur Goksel, especialista em questões de segurança no Líbano.

Refaie disse: - A solução militar não é mais uma opção.

O governo libanês exige que os militantes do Fatah al-Islam, muitos dos quais não são palestinos, entreguem-se. A liderança do país acusa o grupo de ter iniciado o conflito ao atacar posições do Exército perto de Nahr al-Bared, na região de Trípoli.

O Fatah al-Islam afirma ter recorrido às armas para defender-se.

As facções palestinas chegaram a um acordo sobre alguns pontos, entre os quais a formação de uma comissão para melhorar a segurança no campo, afirmou Refaie. Osama Hamdan, representante do Hamas no Líbano, não quis fazer comentários sobre a situação das negociações.

Um porta-voz do Fatah al-Islam disse que o grupo não entregaria seus combatentes.

- Isso é impossível, afirmou Abu Salim Taha, por telefone, de dentro do campo.

- Essas propostas não têm lógica. Vamos esperar para ver o que acontece.

Segundo autoridades libanesas, o Fatah al-Islam é composto por homens de vários países, entre os quais Arábia Saudita, Argélia, Tunísia, Síria e Líbano.

O embaixador saudita no território libanês, Abdul-Aziz Khojah, disse que entre os membros do Fatah al-Islam mortos nos conflitos havia quatro sauditas. Khojah afirmou ao jornal al-Hayat, no domingo, que os integrantes do grupo filiavam-se ao ideário da Al Qaeda.

Mais da metade dos 40 mil moradores de Nahr al-Bared fugiram de suas casas, a maior parte deles para o campo de refugiados de Beddawi, próximo dali. Esse campo, segundo grupos de ajuda humanitária, acabou ficando superlotado.

Membros do gabinete de governo do Líbano, contrários à Síria, descreveram o Fatah al-Islam como um instrumento dos serviços de inteligência sírios. O grupo, formado no ano passado, é uma dissidência do Fatah al-Intifada, aliado da Síria. O governo sírio nega ter ligações com o Fatah al-Islam.