Agência EFE
BUENOS AIRES - Delegações de técnicos uruguaios e argentinos se reunirão amanhã em Nova York para buscar uma aproximação no litígio pela construção de uma fábrica de celulose na fronteira entre os dois países.
Os dois lados chegaram nas últimas horas a Nova York em clima de "otimismo", disseram fontes da delegação uruguaia. Estão dispostos a debater novas aproximações, segundo a equipe argentina.
Embora totalmente alheias às Nações Unidas, as reuniões acontecerão curiosamente na sede da missão da Espanha na ONU, uma oferta feita pelo embaixador espanhol, Juan Antonio Yaéz Barnuevo.
O embaixador atua como "mediador", em nome do rei da Espanha, Juan Carlos I.
O conflito começou três anos atrás, por causa da construção da fábrica de celulose da finlandesa Botnia, em Fray Bentos, às margens do rio Uruguai, fronteira natural entre os dois países.
Atualmente, a papeleira está 90% concluída, apesar das denúncias da Argentina. O país considera a fábrica "uma grave ameaça" para o meio ambiente da região, o que é negado pelo Uruguai e pela empresa.
O Governo argentino recorreu à Corte Internacional de Justiça de Haia contra a decisão do Uruguai de autorizar a construção.
Em Nova York, a delegação argentina, liderada pela diretora geral da Secretaria Legal da Chancelaria, Susana Ruiz Cerruti, apresentará "argumentos técnicos e legais" as razões pelas quais a fábrica da deveria ser transferida.
Os porta-vozes disseram também que no encontro a delegação argentina não deve debater a criação de uma "zona verde" ao redor da indústria.
- Há muitas incógnitas para analisar antes da chamada zona verde. Não estamos avaliando esta possibilidade porque entrar nessa discussão seria dizer que Botnia fica onde está e esse tema também não está previsto na agenda de trabalho -, afirmaram.
Os delegados uruguaios, encabeçados pelo diretor-geral do Ministério das Relações Exteriores, José Luis Cancela, reconhecem que vão tranqüilos à reunião. Apesar de a Argentina insistir nos problemas ambientais, paralelamente promove em seu país fábricas com tecnologia similar à da Botnia.
O Uruguai rejeitou mais de uma vez a exigência de dar nova localização à indústria, que estará em condições de operar nos próximos três meses.
Em protesto, desde novembro do ano passado um grupo de ambientalistas argentinos bloqueia a ponte entre os dois países que liga Gualeguaychú, na Argentina, a Fray Bentos, no Uruguai.