Agência EFE
LAHORE - Um tribunal paquistanês condenou nesta segunda-feira a três anos de prisão por perjúrio duas mulheres paquistanesas que se casaram em 2006, apesar de tê-las absolvido da acusação de 'atos não-naturais'.
O caso de Shumail Raj, de 26 anos, e Shahzina Tariq, de 31, o primeiro caso conhecido de um casamento homossexual no Paquistão, provocou uma forte polêmica na semana passada, quando o Tribunal Superior de Lahore (leste) as deteve de forma preventiva enquanto analisava as acusações.
O juiz desprezou nesta segunda-feira a acusação de 'atos não-naturais', termo utilizado para denominar a prática homossexual no Paquistão, e decidiu condenar o casal a três anos de prisão por perjúrio, por ter assegurado perante a corte que Shumail era um homem.
A pena não foi maior porque as duas se desculparam perante o tribunal, de acordo com o juiz.
Após um exame médico em Shumail, feito a pedido do magistrado, os médicos afirmaram que ainda era uma mulher, algo que as duas reconheceram perante o tribunal.
Shumail, que tem barba e voz masculina, se submeteu até agora a duas cirurgias de mudança de sexo, mas aos olhos das autoridades paquistanesas continua sendo uma mulher, restando uma terceira operação definitiva.
As autoridades paquistanesas não duvidaram que Shumail era um homem quando o casal se casou em setembro, mas o pai de Shahzina decidiu denunciar a união perante a Justiça.
Além de condenar as duas mulheres à prisão, o juiz impôs uma multa de 10 mil rúpias (¬ 122 euro).
O caso criou atritos na conservadora sociedade paquistanesa, onde o homossexualismo e a transexualismo são um tabu.
Shumail assegurou, na saída do julgamento, que apelará da sentença na Corte Suprema do Paquistão. Também pediu ao presidente do país, Pervez Musharraf, que intervenha no caso, algo que acredita que o general fará se realmente for um 'líder iluminado, moderado e liberal'.