Agência EFE
ISRAEL - Um renomado analista legal alertou em segredo ao Governo de Israel para a ilegalidade da construção de assentamentos judaicos nos territórios palestinos ocupados após a Guerra dos Seis Dias, há 40 anos.
Theodor Meron na época era assessor do Ministério de Relações Exteriores israelense e hoje é um dos mais destacados juristas internacionais. E ele mantém sua opinião, segundo o jornal britânico The Independent.
O seu parecer representa, segundo o jornal, um duro golpe no argumento utilizado várias vezes pelo Governo israelense de que os assentamentos não violam a legalidade internacional.
O documento elaborado em setembro de 1967 por Meron, classificado como de máximo sigilo e extrema urgência, foi obtido pelo jornal britânico. A sua conclusão é de que os assentamentos civis nos territórios ocupados transgridem explicitamente a Quarta Convenção de Genebra.
Meron, que foi presidente do Tribunal Internacional Criminal para a antiga Iugoslávia até 2005, disse ao jornal que a expansão das colônias israelenses é um dos principais problemas que é preciso resolver logo.
Sobrevivente do Holocausto, ele revela que o ministro de Relações Exteriores da época, Abba Eban, simpatizava com seu ponto de vista.
Apesar de sua opinião, que foi comunicada ao então primeiro-ministro Levi Eshkol, o gabinete trabalhista permitiu a prática.
Hoje em dia, há pelo menos 240 mil colonos israelenses em território ocupado. Eles controlam aproximadamente 40% da Cisjordânia.
Em suas declarações, Meron, de 76 anos, avalia que o ritmo da construção dos assentamentos torna muito mais difícil a paz.