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EUA defendem escudo anti-mísseis alegando ameaça iraniana

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Agência EFE

FUNCHAL (PORTUGAL) - A ameaça do Irã para o Ocidente justifica a instalação, por parte dos Estados Unidos, de um escudo antimísseis no Leste Europeu, concluiu hoje a delegação desse país na cidade de Madeira, em Portugal.

Daniel Fata, secretário de Defesa dos EUA para a Política Européia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), disse durante o segundo dia de trabalho da Assembléia Parlamentar dessa organização que o Irã continua com sua corrida armamentista.

Segundo ele, isso põe em perigo a segurança de seu país e a do Velho Continente. O especialista americano falou do projeto dos EUA de instalar uma base na Polônia com dez locais para o lançamento de foguetes. Esses interceptariam mísseis disparados contra os EUA e a Europa. Outra base seria construída na República Tcheca e teria radares para detectar o lançamento desses mísseis e controlar sua trajetória.

No entanto, Fata ressaltou que a iniciativa americana é defensiva, além de assegurar que o projeto não representa ameaça para a segurança da Rússia, país que é contra o sistema. Sobre os prazos para um acordo final com a República Tcheca e a Polônia, adiantou que espera que as negociações sejam concluídas antes do final de 2008. Isso permitiria que o sistema estivesse ativo em 2013.

Quanto à oposição da Rússia, esclareceu que os EUA 'não aceitarão' um veto por parte do Kremlin, após lembrar que Moscou conta, há algum tempo, com seu próprio escudo antimísseis. Fata afirmou que o sistema que os EUA querem desenvolver poderia ser utilizado para defender a própria Rússia, e pediu às autoridades de Moscou mais colaboração diante da ameaça dos projetos nucleares do Irã.

Dennis Mays, engenheiro-chefe do sistema antimísseis projetado pelos EUA, advertiu que a ameaça do Irã é real, e colocou também a Coréia do Norte entre os países que podem desestabilizar a segurança mundial. Mays disse que o Irã está trabalhando no desenvolvimento de plataformas de lançamento espaciais, que permitirão às autoridades de Teerã contar, em 2015, com mísseis de alcance intercontinental.

Durante o fim de semana, mais de 300 parlamentares dos 27 países que integram a Otan debatem, na cidade de Funchal, os problemas geopolíticos internacionais e sua repercussão na organização atlântica. A Assembléia Parlamentar da Otan, com sede em Bruxelas, realiza duas reuniões anuais. É um organismo interparlamentar dos Estados-membros e de outros 18 países associados que não têm poder decisório, mas fazem recomendações e analisam os temas de interesse da instituição.