Agência EFE
PEQUIM - Duas irmãs chinesas denunciaram que em sua localidade, no centro da China, os funcionários do Governo obrigam as mulheres solteiras a fazer testes médicos para comprovar se estiveram grávidas, e em tal caso perdem seu direito a votar e a ser compensadas pela venda de terras.
Segundo a edição desta sexta-feira do jornal 'South China Morning Post', Wang Yanli, de 29 anos, e sua irmã foram as únicas pessoas a se rebelar contra estes testes forçados na localidade de Yongzhou, no distrito de Wutong, na província de Hunan (centro).
Em 1999, o secretário do Partido Comunista na região, Peng Chunsheng, ditou que todas as mulheres solteiras deveriam se submeter a testes para determinar se em algum momento tinham estado grávidas, o que representaria a expulsão da comunidade.
- Isto significa que aquelas que não se apresentam ao teste perdem seu direito a receber o valor pela venda de terras e a votar nas eleições do comitê. Fui obrigada a passar por uma série de exames médicos em 1999, entre eles uma prova de ultra-som e exames de útero e da mama - explicou Wang ao jornal.
As práticas descritas por Wang são bastante humilhantes, como obrigar todas as mulheres solteiras da localidade a ficarem nuas e examiná-las em grupo.
Wang se negou a passar por este teste e também não permitiu que sua irmã, Wang Meiyan, que tinha 16 anos, se submetesse a ele, e por isso, em 2004, quando o comitê distribuiu a quantia pela venda de terras, as irmãs não receberam seus correspondentes US$ 1.545.
As jovens decidiram levar o caso aos Governos municipal, provincial e central, e, apesar de, a princípio, contarem com o apoio da Federação de Mulheres da China contra esta prática discriminatória, o processo não seguiu em frente.
Em 2005, o Governo provincial deu razão a elas e obrigou o Executivo de Yongzhou a pagar às irmãs Wang o valor referente às terras, mas não receberam a quantia total.
- As autoridades locais me disseram que era inútil ir a Pequim - o que fez em seis ocasiões -, porque os funcionários locais têm absoluto poder para decidir se
implementam ou não as instruções recebidas de seus superiores - explica Wang.
A versão de um funcionário do Governo do distrito consultado hoje é bem distinta. 'Há uma normativa local segundo a qual a mulher, ao se casar, perde seu direito a obter o valor pela venda da terra'.
- Wang Yanli não quis admitir que já estava casada e tinha filhos. Por isso se negou a fazer os exames - acrescentou.
Segundo o ativista Huang Qi, estes abusos de poder são o resultado da falta de vigilância da burocracia do Partido Comunista da China, no poder desde 1949.