Agência AFP
BOGOTÁ - Uma comissão designada pelo governo da Colômbia revê os processos judiciais de 1.600 pessoas presas por vínculos com a guerrilla das Farc, para definir quais delas serão libertadas, informou nesta sexta-feira o ministro do Interior e Justiça.
- A única condição é de que não tenham cometido crimes de lesa humanidade- informou o ministro Carlos Holguín, pouco depois de o presidente Alvaro Uribe ter fixado para 7 de junho a data para começar a liberar os rebeldes presos em troca de reféns em poder das Farc.
O presidente da Colômbia Alvaro Uribe anunciou que antes de 7 de junho seu governo vai tirar da prisão um grupo de guerrilheiros das Farc, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, atualmente detidos. E atribuiu a decisão a "uma razão de estado" que afirmou não poder revelar.
- Tenho um compromisso, uma razão de Estado, uma razão superior que anunciarei oportunamente ao país - disse Uribe.
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) mantêm em seu poder 56 reféns, 32 militares e policiais e 24 civis, dentre os quais políticos colombianos.
As Farc pretendem usar os reféns como moeda de troca para resgatar 500 rebeldes presos. Os mais antigos estão mantidos em cativeiro desde 1997.
A então candidata à presidência Ingrid Betancourt e sua vice Clara Roja foram seqüestradas em 23 de fevereiro de 2002 quando tentavam chegar a San Vincente del Caguán, a 740 quilômetros ao sul de Bogotá.
Os americanos Marc Gonsalves, Thomas Howe e Keith Stannsen foram seqüestrados em 13 de fevereiro quando o avião em que realizavam missão contra as drogas do Plano Colômbia caiu na selva do departamento de Caquetá.
Entre os políticos colombianos detidos estão 12 ex-deputados da assembléia legislativa do departamento de Valle, seqüestrados em 11 de abril de 2002 por um grupo rebelde que invadiu a sede da Assembléia em pleno centro de Cali, disfarçados de militares.
Também são reféns os ex-parlamentares Consuelo González, Orlando Beltrán, Luis Eladio Pérez, Gloria Polanco, Oscar Lizcano e Jorge Eduardo Gechen, este último seqüestrado em 20 de fevereiro de 2002 depois que o avião em que viajava foi obrigado a pousar em uma estrada.
Na mesma condição se encontra Alan Jara, ex-governador do departamento de Meta, mantido em cativeiro desde 15 de julho em 2001.
No conflito, onze reféns já morreram, apenas um por doença, o capitão da polícia Julián Ernesto Guevara. Oito militares, o ex-ministro de Defesa de Gilberto Echverry e o ex-governador de Antioquia, Guillermo Gaviria, foram mortos durante uma mal sucedida operação de resgate em maio de 2003.