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BEIRUTE - O primeiro-ministro libanês prometeu combater um grupo militante envolvido numa luta contra o Exército libanês em um campo de refugiados do norte do país, onde uma trégua vigora na quinta-feira pelo terceiro dia.
Equipes humanitárias pretendem entregar víveres a milhares de palestinos expulsos do campo pelos confrontos entre militares e o grupo Fatah al-Islam, que se estabeleceu ali. Dezenas de pessoas morreram nos combates.
- Não vamos nos render ao terrorismo - disse o primeiro-ministro Fouad Siniora em discurso pela TV.
Mas Siniora procurou dar garantias de que seu governo não vai atacar os 400 mil refugiados palestinos no Líbano.
- Não haverá tensão ou qualquer problema entre os libaneses e palestinos - afirmou.
Ele qualificou a Fatah al-Islam, liderada por um palestino, como 'uma organização terrorista que diz ser islâmica e defender a Palestina, ñmas que estáí tentando pegar carona no sofrimento do povo palestino e na sua luta'.
Os confrontos -- que mataram pelo menos 22 militantes e 32 soldados -- foram os piores incidentes de violência interna desde a guerra civil libanesa (1975-90).
O Líbano diz que entre 50 e 60 militantes foram mortos, e que os remanescentes devem se render para evitar novas ações militares.
Dezenas de civis também foram mortos no campo de Nahr Al Bared, segundo relatos de palestinos que fugiram desde o início da trégua, na terça-feira.
Nesta semana, também houve três bombas em Beirute, a última delas na noite de quarta-feira. Uma pessoa morreu nas explosões.
Na quinta-feira, os palestinos continuavam deixando Nahr Al Bared. Milhares buscaram abrigo no vizinho campo de Beddawi e na cidade portuária de Trípoli.
Jamila Ahnab, 35 anos, disse que passou a maior parte dos combates escondida numa sala com 20 pessoas.
- Um disparo caiu ao lado da nossa casa, e os destroços caíram sobre nós - disse Ahnab ao deixar o campo com seus cinco filhos.
A entidade Anistia Internacional criticou o Exército libanês por usar armas pesadas, o que irritou muitos refugiados palestinos no Líbano.
A UNRWA, agência da ONU para os refugiados palestinos, disse que cerca de 12 mil pessoas fugiram do campo desde o início da trégua, na terça-feira. 'Ainda há muita gente no campo -- cerca de 18 mil. Estamos muito preocupados com as condições humanitárias. Circular no campo não é muito seguro, embora o cessar-fogo persista por enquanto - disse a porta-voz Hoda Elturk.
Apesar de ser dirigida por um palestino, a Fatah al-Islam tem pouco apoio entre os palestinos do Líbano. A facção compartilha a ideologia militante sunita da Al Qaeda.
Autoridades libanesas disseram ter prendido militantes sauditas, argelinos, tunisianos, sírios e libaneses.
Políticos governistas locais acusam a Fatah al-Islam de ser uma ferramenta dos serviços de inteligência da Síria, que rejeita a acusação.