Agência EFE
DAMASCO - Milhares de sírios tomaram nesta quinta-feira as ruas de Damasco, em manifestações organizadas pelo Governo, para cantar vitória e entoar gritos de apoio ao atual presidente, Bashar al-Assad, que, no domingo, concorre pela reeleição.
Desde que o Parlamento aprovou, por unanimidade, a candidatura de Assad - única que foi apresentada - à Presidência do país, o Governo organizou várias manifestações, que contam com a participação de milhares de pessoas tanto em Damasco como em outras cidades sírias.
A Síria se encontra em estado de sítio desde 1967. Por isso, qualquer manifestação popular deve ser autorizada antes pelo Governo.
As cenas vistas nesta semana em Damasco lembram as manifestações populares que marcaram o plebiscito de julho de 2000, quando Assad obteve uma vitória esmagadora, com 97,29% dos votos.
Dia e noite são escutados sons das buzinas que jovens partidários tocam incessantemente para apoiar o presidente em ruas lotadas de carros.
- Bashar, Bashar, Bashar - gritam os cidadãos envolvidos em bandeiras sírias e levantando fotografias do líder nas caravanas formadas por centenas de veículos que atrapalham o tráfego da capital de 5 milhões de habitantes.
De todas as partes surgem retratos do presidente com 17 metros de altura que estão em edifícios governamentais e fotografias do presidente aparecem em hotéis, carros, ônibus, caminhões e inclusive nos carros dos vendedores ambulantes. Cartazes com as frases "Queremos você' enfeitam as ruas sírias.
- Bashar é o único capaz de ocupar o cargo de presidente. É um jovem promissor e de mente aberta. Bashar é nossa esperança para o futuro - afirma Ahmed, funcionário público sírio.
- Eu digo sim a Bashar, pois ele se preocupa conosco e oferece o melhor serviço e proteção à Síria - acrescenta a estudante Muna, de 17 anos.
Para o estudante, a posição de Bashar com relação aos Estados Unidos é crucial: 'Digo sim a quem diz não aos EUA'.
É quase impossível encontrar alguém que expresse publicamente oposição à reeleição.
A Frente Nacional Progressista na Síria, coalizão formada por 10 grupos políticos e liderada pelo Baath, partido governante ao qual pertence Assad, pede que os sírios compareçam às urnas no plebiscito que representa 'a força e resistência para todos os sírios'.
O ministro do Interior, Bassam Abdul Majid, anunciará o resultado da consulta assim que os 250 membros da Assembléia Popular (Parlamento sírio) fizerem uma sessão extraordinária para ratificar o resultado das votações.
Não há possibilidade de outro presidente ser escolhido, já que os partidos da oposição são proibidos no país e Bashar é candidato único.
Em 2005, o Baath realizou um congresso no qual os delegados do partido obtiveram um princípio de acordo para a aprovação de leis que permitissem a existência de partidos independentes.
No entanto, estes movimentos não chegaram a se concretizar até o momento. A imprensa local dedicou a Bashar grandes editoriais nos quais elogiam a gestão do presidente, que substituiu seu pai, Hafez al-Assad.
Hafez governou o país por mais de 30 anos, e os colunistas sírios não se cansam de dizer que ele transformou um território violento em "uma das maiores potências do Oriente Médio'.
O presidente dirigiu-se aos parlamentares ressaltando a necessidade de preservar a coesão nacional e afirmando que os EUA querem prejudicar a Síria.
O Governo sírio é submetido a uma grande pressão por potências estrangeiras, principalmente por causa de suas políticas em relação ao Iraque e ao Líbano.
Os EUA acusam a Síria de não controlar suficientemente a entrada de armas no Iraque através de suas fronteiras, assim como de se intrometer nos assuntos internos do Líbano. A Síria nega as duas acusações.