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Sarkozy pode ser decisivo para libertação de reféns, dizem Farc

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REUTERS

BOGOTÁ - A maior guerrilha esquerdista da Colômbia afirmou na quinta-feira que o presidente da França, Nicolas Sarkozy, desempenhará um papel decisivo nos esforços para libertar a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e outros reféns sequestrados pelos rebeldes anos atrás. O anúncio feito pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) veio a público uma semana depois de um policial sequestrado há quase nove anos ter escapado de um acampamento rebelde localizado em uma região de mata. O policial afirmou que dividia o cativeiro com Betancourt e com três norte-americanos.

- As medidas a serem tomadas por ele (Sarkozy) com vistas a esse propósito (de libertação dos reféns) serão decisivas para garantir o regresso da senhora Ingrid e dos demais reféns que podem ser trocados - afirmou à agência Anncol, um meio de comunicações da guerrilha, Raúl Reyes, líder das Farc.

Sarkozy prometeu aos familiares de Betancourt na França que trabalhará para tentar obter a libertação dela. Mas o governo francês manifestou preocupação com a recente decisão do presidente colombiano, Alvaro Uribe, de intensificar as operações militares com o fim de resgatar os reféns. As Farc mantêm sob seu poder cerca de 60 reféns, entre os quais Betancourt, três norte-americanos, 12 ex-deputados departamentais, cinco ex-congressistas, um ex-governador e vários membros do Exército e da polícia.

Os rebeldes exigem que Uribe retire as Forças Armadas de uma zona de montanha com 780 quadrados de área, no sudoeste do país, a fim de que seus representantes e os representantes do governo se reúnam para negociar um acordo pelo qual os reféns seriam libertados em troca de guerrilheiros presos.

- As Farc reafirmam novamente ao presidente Nicolas Sarkozy e ao povo francês nosso compromisso incontestável com os esforços de troca de prisioneiros, algo para o qual é totalmente indispensável que os municípios de Florida e Pradera sejam desocupados pelas forças do governo - afirmou Reyes.

Mas Uribe descarta a possibilidade de retirar os militares dessa região, considerada estratégica para o tráfico de drogas e de armas. O governo também se recusa a aceitar a possibilidade de que os guerrilheiros eventualmente libertados regressem à luta armada. O fato de nenhum dos dois lados ter cedido até agora impediu a assinatura de um acordo capaz de colocar fim ao drama dos reféns, alguns dos quais há dez anos no cativeiro.

Betancourt, que tem nacionalidade francesa e colombiana, foi sequestrada em fevereiro de 2002. O caso da ex-candidata presidencial tem chamado bastante atenção na França e no restante da Europa. A Espanha, a França e a Suíça estão autorizadas por Uribe a tentar negociar com as Farc para obter a libertação dos reféns.