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Órgão adverte sobre racismo crescente entre políticos europeus

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REUTERS

PARIS - Muitos políticos europeus estão alimentando preconceitos raciais ao estigmatizarem os estrangeiros por meio de comentários xenófobos, acreditando ser isso o que seus eleitores desejam ouvir, afirmou na quinta-feira um órgão de defesa dos direitos humanos.

Há líderes políticos em quase todos os países europeus apelando para o medo de seus compatriotas sobre a falta de emprego e a economia, transformando os imigrantes em bodes expiatórios, afirmou a Comissão Européia contra o Racismo e a Intolerância (Ecri), uma entidade ligada ao Conselho da Europa.

- Um grande número de políticos parece acreditar que isso é o que as pessoas desejam ouvir - afirmou a presidente da Ecri, Eva Smith Asmussen, em uma entrevista coletiva na qual apresentou o relatório anual da comissão. 'Esse é um dado muito triste. Eles transformam isso (os preconceitos) em algo banal.'

Segundo Asmussen, a Ecri, que monitora a situação do racismo e da discriminação nos países-membros do Conselho da Europa, não deseja identificar nações específicas nas quais o discurso seja particularmente xenófobo. Mas disse que o problema estava presente em todos os Estados europeus.

O relatório do órgão aparece em meio a um acalorado debate na França sobre a criação, pelo novo presidente do país, Nicolas Sarkozy, de um único ministério para a imigração e a identidade nacional.

Para grupos de defesa dos direitos humanos, unir esses dois assuntos em um mesmo órgão é algo perigoso.

Questionada sobre a criação desse ministério, Asmussen respondeu: 'Vamos ter de esperar para ver o que acontece na França. Quero ser otimista. Torcemos para que o ministério exerça uma influência positiva.'

O Ecri também afirmou que a luta contra o terrorismo havia alimentado os preconceitos raciais e a discriminação em alguns países.

Segundo Asmussen, em certas nações as operações policiais de vigilância realizadas nas ruas pareciam ter por alvo principal os muçulmanos. Ela pediu que as autoridades tomassem cuidado para evitar tais práticas.

Questões sobre a imigração, a identidade nacional e a criminalidade são delicadas em muitos países europeus.

Na Itália, autoridades disseram neste mês que o município de Roma construiria fora da cidade quatro 'vilarejos de solidariedade' para ciganos. Os locais seriam patrulhados pela polícia e contariam com instalações educacionais e de atendimento médico. A medida é parte de um pacote para responder às preocupações com a criminalidade.

Os ciganos e os imigrantes ilegais vêm sendo acusados, por meios de comunicação italianos, de serem os responsáveis por uma recente onda de crimes violentos.

Esse foco levou um membro esquerdista do governo atual a afirmar que o país responsável por inventar a máfia não devia se precipitar jogando sobre os estrangeiros a culpa pela criminalidade.

Na França, alguns historiadores e políticos de esquerda aconselharam o governo de Sarkozy a não alimentar os preconceitos ao relacionar a questão da identidade nacional com a da imigração.

A Ecri afirmou que os atos discriminatórios contra os ciganos, os negros, os muçulmanos e os judeus são um problema sério na Europa e que haviam se tornado mais comuns em alguns locais, nos últimos anos. Não foram fornecidos dados.