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ONG apóia pedido de Angela Merkel sobre ajuda à África

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Agência EFE

BERLIM - A organização Debt Aids Trade Africa (Data) ofereceu nesta quinta-feira apoio à chanceler alemã, Angela Merkel, que pediu aos países do G8 que apliquem medidas para reduzir a pobreza no continente africano à metade.

A Data tem como um dos fundadores o cantor Bono, da banda U2. O diretor da organização na Alemanha, Tobias Kahler, elogiou o compromisso de Merkel com a África em seus discursos.

Ele afirmou, ainda, que é ela quem pode conseguir que o G8 defina planos concretos em sua próxima cúpula na ilha alemã de Heiligendamm, de 6 a 8 de junho.

As declarações de Angela Merkel foram feitas no mesmo dia em que o presidente da Comissão Européia (CE), José Manuel Durão Barroso, prometeu ao presidente de Gana e atual presidente da União Africana (UA), John Kufuor, que 'a CE será a voz da África' na próxima cúpula do G8 (Rússia e os sete países mais ricos do mundo: França, Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, Japão, Canadá e Itália).

- Faremos chegar a mensagem de urgência enviada pelo continente africano, para lutar contra a pobreza e promover o desenvolvimento no continente - afirmou Durão Barroso.

O presidente da CE disse que a denúncia da situação africana frente aos países mais poderosos do mundo 'não será um espetáculo de um dia, mas um processo prolongado', que leve ao desenvolvimento africano. Já Kufuor disse que este é o momento de a África crescer e se desenvolver.

- O que necessitamos é de mais investimentos e de mais acordos de associação - afirmou.

Ele lembrou que a 'África é um grande mercado de recursos naturais e o segundo maior continente do mundo'.

O presidente de Gana falou dos conflitos que assolam o continente, como Darfur e a Somália, e destacou que, embora a UE tenha colaborado, ainda são necessárias mais contribuições, que devem chegar a tempo.

Kufuor destacou o papel de seu país no processo de paz na região, e louvou o trabalho da missão ganesa na Libéria.

Já os membros da organização Data lembraram que, na cúpula de Gleneagles, na Escócia (2005), o G8 se comprometeu a investir US$ 25 bilhões na África antes de 2010. No entanto, advertiram que, para cumprir com esse objetivo, deveriam aumentar suas doações deste ano em US$ 6,2 bilhões.

A redução da miséria no continente africano é uma das metas do Milênio, segundo a ONU.

Apesar de a Europa estar atingindo e até superando essa meta, e do objetivo intermediário de destinar, em 2006, 0,39% do PIB europeu a contribuições para o continente africano, Durão Barroso lembrou que nem todos os países da UE cumpriram seus compromissos.

Lamentou, também, que inúmeros Governos europeus tenham recorrido ao perdão da dívida de países africanos.

Segundo o representante da CE, essa medida é 'útil', mas só pode ser utilizada uma vez. Para ele, isto não evita que sejam necessários futuros 'enormes esforços'

para atingir os objetivos definidos para os países pobres do continente.

Durão Barroso lembrou a longa história de solidariedade da UE com os países em desenvolvimento.

Destacou, ainda, o compromisso dos chefes de Estado e de Governo europeus no 50º aniversário do Tratado de Roma (que deu início à formação da UE) de 'promover a paz e o desenvolvimento no mundo, e erradicar a pobreza, a fome e as doenças, assumindo a liderança nessa luta'.

- Devemos honrar este compromisso ao cumprir nossas promessas sobre a ajuda ao desenvolvimento - disse, admitindo, porém, que nem sempre é fácil. Ele reiterou que 'é essencial como investimento' no futuro europeu e do resto do mundo.

Tobias Kahler fez as mesmas reivindicações aos países ricos, e ressaltou que a Alemanha deve aumentar contribuições para o desenvolvimento do continente em US$ 700 milhões este ano.

Angela Merkel reiterou nesta quinta-feira diante do Parlamento que a Alemanha efetivará seus compromissos financeiros de ajuda.

Entretanto, insistiu em que as nações africanas também devem avançar em suas reformas, além de criar estruturas eficientes para que o auxílio possa chegar a quem precisa.

Em Heiligendamm, na próxima cúpula, será estudado um plano de ação para fomentar o 'boa gestão financeira' na África. O documento foi redigido pelos ministros da Economia do G8 no fim de semana.

O plano pretende comprometer os países africanos com uma maior transparência em suas políticas financeiras e orçamentárias.

A Data assinalou que as contribuições à África permitirão que os Governos do continente fixem planos de desenvolvimento em setores como educação, saúde e infra-estrutura.