Agência EFE
BOGOTÁ - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) expressaram nesta quinta-feira seu interesse em contar com os 'bons ofícios' do novo presidente da França, Nicolas Sarkozy, para conseguir a troca de seqüestrados por rebeldes presos, mas manteve a exigência de que se desmilitarizem dois municípios do sudoeste da Colômbia.
O pronunciamento foi feito pelo porta-voz das Farc, Luis Edgar Devia, conhecido como 'Raúl Reyes', por meio de um site de internet, que divulga os comunicados do grupo insurgente.
O rebelde ressaltou a importância do Governo do líder francês, que tomou posse na semana passada, no futuro de um acordo humanitário que permita a troca de 56 políticos, soldados e policiais sequestrados por cerca de 500 insurgentes das Farc presos.
Entre os reféns se encontra a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, seqüestrada em fevereiro de 2002, e que também tem nacionalidade francesa, motivo pelo qual seu caso teve grande repercussão na França.
A Embaixada francesa na Colômbia disse à agência Efe não ter nenhum comentário a respeito do caso.
Segundo 'Raúl Reyes', as Farc apóiam as iniciativas realizadas pelos 'países amigos' (Espanha, França e Suíça), na busca do acordo humanitário, a pedido do
Governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe.
Esta postura representa uma reviravolta em relação à posição adotada pelas Farc por mais de quatro anos, durante os quais sempre rejeitaram as propostas do presidente Uribe.
A última oferta, anunciada pelo líder em 11 de maio, prevê a libertação maciça e unilateral de guerrilheiros das Farc, para ver se a guerrilha faz o mesmo com os detidos. O governante, no entanto, se opõe à desmilitarizaração dos municípios nos quais seria negociada a troca, medida exigida pelas Farc.
Para o catedrático e analista colombiano Alfredo Rangel, presidente da Fundação Segurança e Democracia, 'as Farc estão muito nervosas com a última proposta feita pelo Governo'.
- Acho que esta suposta aceitação das negociações com Espanha, França e Suíça é uma resposta a essa medida unilateral de parte do Governo - disse Rangel.
Os guerrilheiros, no entanto, qualificaram a proposta de 'farsa', e afirmaram se tratar apenas de uma 'cortina de fumaça' do líder, acuado pelo escândalo suscitado pela revelação de ligações entre dezenas de políticos, parlamentares e congressistas com as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), esquadrões paramilitares de direita que selaram a paz com o Executivo.
- As Farc ratificam novamente, ao presidente Nicolas Sarkozy e ao povo francês, nosso indeclinável compromisso com a busca da troca de prisioneiros. De nossa parte, existe total vontade de realizar os encontros com os emissários dos Governos da França, Suíça e Espanha, tão logo disponhamos de condições favoráveis para recebê-los - declarou 'Raúl Reyes'.
O porta-voz ressaltou, no entanto, que 'é absolutamente indispensável contar com a garantia de desmilitarização dos municípios de Florida e Pradera'.
Segundo as Farc, a desmilitarização destas duas cidades, do departamento do Valle del Cauca (sudoeste), garantiria a segurança dos guerrilheiros que dialoguem com delegados do Governo.
Uribe, no entanto, não aceita retirar as tropas, por considerar essa zona como corredor estratégico para a passagem de rebeldes, armas e drogas.
O porta-voz afirmou que as Farc são um grupo revolucionário, 'com 43 anos de luta', e que o presidente Uribe se opõe à troca.
O pronunciamento das Farc é realizado quase uma semana após a fuga do policial John Frank Pinchao, que esteve em poder da guerrilha por quase nove anos.
O policial revelou ter estado por vários anos ao lado de Ingrid Betancourt, e dos americanos Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves, e confirmou que estão vivos, nas selvas de Vaupés (sudeste).
As Farc figuram na lista de organizações consideradas terroristas por Estados Unidos e a União Européia.