Agência EFE
BOGOTÁ - O ex-chefe do Departamento Administrativo de Segurança da Colômbia (DAS) Jorge Noguera denunciou nesta quinta-feira a existência de um documento que prova as ligações de políticos colombianos com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e que, segundo ele, são tão graves como as relações entre políticos e paramilitares de direita.
Noguera declarou que se trata de uma espécie de livro, que prova relações de políticos com rebeldes das Farc, similares às de políticos e paramilitares das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), que vêm suscitando um escândalo nacional desde o final de 2006.
Dentro deste escândalo, conhecido como 'parapolítica', já foi ordenada a detenção de vinte congressistas.
O ex-chefe do DAS (organismo de inteligência estatal) e ex-cônsul em Milão (Itália) já esteve detido, sob a acusação de desviar recursos do organismo para ações que beneficiavam membros das AUC, e de permitir o assassinato de sindicalistas por paramilitares.
Ele afirmou que o livro foi confiscado pelo DAS, quando ele dirigia a entidade, na cidade de La Uribe, no departamento de Meta, em cujos arredores se situam acampamentos de chefes das Farc.
- Era um livro de pessoas que visitavam as Farc, e lhes escreviam mensagens - afirmou Noguera, que pediu 'que se investigue este caso com a mesma seriedade aplicada no escândalos das AUC'.
Noguera indicou ter informado sobre o livro ao presidente colombiano, Álvaro Uribe. O documento, no entanto, desapareceu quando ele renunciou à direção do DAS.
- Ali aparecem políticos importantes, que também podem passar a uma situação complicada, caso as denúncias sejam investigadas - afirmou.
Segundo Jorge Noguera, o livro contém as assinaturas de pelo menos 30 dirigentes políticos, e até mesmo 'dedicatórias de amor'.
Jorge Noguera, que apoiou a campanha eleitoral do presidente Álvaro Uribe em 2002, foi detido em 22 de fevereiro, mas obteve liberdade em 23 de março, após uma juíza considerar que sua prisão havia sido indevida. As investigações sobre o caso seguem ocorrendo.
Noguera renunciou à direção o DAS no final de 2005 e foi designado cônsul em Milão, cargo que também teve que deixar em 2006, diante das denúncias.
O documento que menciona Noguera aparentemente é da época do ex-presidente Andrés Pastrana (1998-2002), que comandou as fracassadas negociações de paz com as Farc e desmilitarizou uma área de 42 mil quilômetros quadrados para os diálogos, que compreendia a cidade de La Uribe.
As AUC, que reuniam milícias de defesa camponesas criadas há mais de vinte anos para combater as guerrilhas, participaram de conversas de paz entre 2003 e 2006 e desmobilizaram mais de 31 mil combatentes.
Os membros da organização, acusados de múltiplos crimes de lesa-humanidade, conseguiram se infiltrar nas atividades políticas e na Administração de várias regiões colombianas.