Agência EFE
GENEBRA - O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) advertiu nesta quinta-feira que os conflitos armados no mundo têm conseqüências humanitárias cada vez mais graves, por isso que suas atividades poderiam requerer em 2007 mais fundos do que no ano passado, quando alcançaram um número recorde.
O presidente do CICV, Jakob Kellenberger, defendeu nesta quinta-feira em Genebra que 'infelizmente, não há bons sinais para 2007', por isso que é muito provável que os ¬ 613 milhões requeridos pela instituição em 2006 não sejam suficientes para seu trabalho de ajuda.
Lembrou que o orçamento inicial da organização para este ano era de ¬ 511 milhões, mas que, após quatro pedidos de fundos de emergência, número subiu para ¬ 569 milhões.
Kellenberger destacou que parte dos grandes conflitos que aconteceram no ano passado, e que ainda continuam, foram acompanhados de deslocamentos maciços de população, particularmente em contextos de violência como os que são vividos no Iraque, Sudão, Afeganistão, Líbano e Sri Lanka.
- A 'flagrante' violação do direito humanitário internacional é outra das grandes preocupações do CICV, já que, segundo Kellenberger, 'cada vez que isso acontece, uma vida é destruída.
Por isso, disse que uma das prioridades de sua organização é conseguir que os direitos humanos sejam respeitados, já que 'o único instrumento com o qual pode se contar em casos de conflito é a chamada às partes para que cumpram com essa obrigação - acrescentou.
Em termos financeiros, Kellenberger assinalou que as despesas do CICV durante o ano passado foram as mais altas dos últimos cinqüenta anos e que 40% dos recursos foram destinados à África.
Com os fundos de 2006, o organismo internacional financiou os trabalhos de 12.000 trabalhadores humanitários em 80 países e em operações que foram desde a resposta rápida a emergências repentinas e graves, como as do Líbano, Sri Lanka e Somália, até a ajuda em situações de crise crônicas, como no Chade e Colômbia.
Só em 2006, o CICV ajudou 3,5 milhões de deslocados em 19 países, o que representa 300.000 beneficiados a mais do que no ano anterior.
Além disso, a organização calcula que até 16 milhões de pessoas atingidas por situações de guerra se favoreceram de suas atividades nas áreas de abastecimento de água, saneamento e projetos de construção.
Além disso, Kellenberger chamou a atenção sobre as graves proporções que o fenômeno do deslocamento tomou no mundo, afetando particularmente mulheres e crianças, e cujas repercussões se estendem às comunidades que os recebem e que já costumam ser pobres.
- Em princípio, o direito humanitário internacional proíbe o deslocamento forçado de civis' e 'estabelece regras básicas para evitar que estes sejam afetados pelas hostilidades - segundo Kellenberger, afirmando que o respeito dessas normas é a melhor maneira de prevenir os deslocamentos.