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Cocaleiros peruanos entram em greve mas Governo mantém posição

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Agência EFE

LA CONVENCIÓN - Os camponeses plantadores de folha de coca da província peruana de La Convención, no departamento de Cuzco, iniciaram uma greve por tempo indefinido, após uma jornada de protesto de 72 horas, informou nesta quarta-feira a agência oficial Andina.

O prefeito de La Convención, Hernán de la Torre, declarou que a decisão foi tomada numa assembléia realizada nesta quarta na localidade para exigir que o Governo ouça suas exigências e envie ministros ao local.

Os camponeses iniciaram seu protesto para exigir que o Governo respeite um ata assinada pelo ex-ministro da Agricultura Juan José Salazar, pedindo a retirada do Peru da Convenção de Viena.

A solicitação depois foi corrigida e a exigência passou a ser de retirada da folha de coca da lista de entorpecentes da Convenção. O documento causou a renúncia de Salazar, que deixou o cargo após ser criticado pelo presidente peruano, Alan García.

Os camponeses também protestam contra os vazamentos de hidrocarbonetos na região e exigem melhores estradas.

O presidente García descartou que o Peru possa se retirar da Convenção de Viena. Ele anunciou que manterá a erradicação de cultivos ilícitos de coca.

- Seria como sair das Nações Unidas - disse García aos jornalistas.

O governante comentou que os cocaleiros podem protestar, mas para o Governo não há nada a discutir.

- O Estado tem que erradicar e punir severamente quem fornece insumos ao narcotráfico - enfatizou.

Cerca de 60 mil famílias dependem do cultivo da folha de coca em vários vales do Peru. O país recebe apoio da cooperação internacional, principalmente dos Estados Unidos e da União Européia, na luta contra as drogas.

O Peru produz cerca de 100 mil toneladas de folha de coca por ano. Só 9 mil podem ser utilizadas no consumo legal e tradicional.