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WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse nesta quinta-feira que a Organização das Nações Unidas (ONU) deve endurecer suas sanções contra o Irã devido à recusa do país em restringir seu programa nuclear.
- Meu ponto de vista é de que precisamos endurecer nosso regime de sanções - disse Bush em entrevista coletiva um dia depois de monitores da ONU dizerem que Teerã estava violando as ordens para suspender atividades nucleares estratégicas.
Bush também considerou "inaceitável" que as autoridades iranianas tenham recentemente detido vários iraniano-americanos no Irã e afirmou que Washington já deixou essa postura clara a Teerã.
- Acabei de falar com a secretária de Estado Condoleezza Rice e vamos trabalhar com nossos parceiros europeus para desenvolver mais sanções - disse Bush sobre a crise nuclear.
- E, é claro, vou discutir a questão com o presidente russo Vladimir Putin, assim como com o presidente (chinês) Hu Jintao.
- A primeira coisa que esses líderes têm de entender é que um Irã com armas nucleares seria incrivelmente desestabilizador para o mundo. É do interesse deles que trabalhemos com cooperação para continuar a isolar aquele regime.
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, acusou na quinta-feira o Ocidente de tentar impedir o programa atômico iraniano a fim de reduzir sua influência no mundo, e deixou claro que não cederá à pressão. Potências ocidentais suspeitam que o Irã esteja tentando desenvolver bombas nucleares, mas Teerã diz que suas atividades se limitam à geração de eletricidade com fins civis, para permitir uma maior exportação de gás e petróleo.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) disse na quarta-feira que o Irã está fazendo avanços substanciais no enriquecimento de urânio, desafiando as exigências mundiais, o que abre caminho para sanções mais duras da ONU contra Teerã. O Conselho de Segurança já impôs duas rodadas de sanções ao Irã desde dezembro.
O Departamento de Estado dos EUA disse que Washington vai buscar a imposição de várias sanções, especialmente as que se destinam a atingir a economia iraniana. Não foram dados detalhes. Um funcionário do Departamento de Estado disse, sob anonimato, que não foram discutidas sanções que atingissem o setor energético iraniano e que novas medidas apenas se somariam às já existentes.
- Vamos fazer isso em passos graduais - disse a fonte.
Além da questão nuclear, os Estados Unidos e o Irã discordam sobre o Iraque, já que Washington acusa Teerã de alimentar a insurgência no país e de fornecer as bombas que matam muitos soldados em emboscadas. O Irã nega. Washington também se irritou com a detenção de quatro cidadãos com dupla cidadania (norte-americana e iraniana), inclusive a acadêmica radicada em Washington Haleh Esfandiari, impedida de deixar o Irã. O Senado dos EUA na quinta-feira aprovou resolução pedindo a libertação dela.