Agência EFE
DAMASCO - A Síria acusou nesta quarta-feira os Estados Unidos de utilizar a ONU como ferramenta para lançar uma 'campanha de desorientação sem precedentes' em torno do assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri.
O vice-presidente sírio, Farouk al-Shara, afirmou que a criação do tribunal para a investigação do assassinato de Hariri é 'parte de uma campanha sem precedentes, dirigida por Washington e outras capitais ocidentais'.
Segundo Shara, o Conselho de Segurança da ONU está sendo utilizado para estabelecer um tribunal para julgar um 'caso individual'.
- Por que não foi criado um tribunal para investigar os crimes de guerra cometidos no Iraque? Mais de 60 mil civis morreram desde o início da ocupação americana (em março de 2003) - disse o vice-presidente, em uma conferência na Universidade de Damasco.
Desde o início das investigações sobre o assassinato de Hariri, em 14 de fevereiro de 2005, uma forte suspeita paira sobre o regime sírio.
Em seu discurso, Shara acusou 'alguns políticos libaneses de inventar disputas e diferenças inexistentes com a Síria, sob ordens dos países ocidentais'.
O responsável sírio criticou indiretamente o Executivo libanês, que responsabilizou pela situação atual vivida no Líbano.
- Bloqueiam a criação de um Governo de união nacional, e pedem ajuda aos estrangeiros - disse ao Shara, acrescentando que 'as acusações contra a Síria refletem a incapacidade de dirigir o Estado e, ao mesmo tempo, de rejeitar as imposições estrangeiras'.
Além disso, declarou que a existência de grupos radicais como o Fatah al-Islam, que enfrenta o Exército libanês desde domingo, em um campo de refugiados palestinos no Líbano, 'só pode ocorrer em um Estado frágil e dividido'.
- Organizações como estas não surgem do nada, mas da ausência do Estado - disse.
Vários dirigentes libaneses próximos ao Governo acusaram a Síria de estar por trás do Fatah al-Islam.