Agência EFE
VIENA - O presidente russo, Vladimir Putin, intensificou nesta quarta-feira suas críticas aos Estados Unidos, por seu sistema de Defesa Nacional contra Mísseis, e à União Européia (UE), pelos subsídios concedidos aos criadores de gado nos países do bloco.
Putin advertiu que o escudo antimísseis, com bases que devem ser instaladas na República Tcheca e na Polônia, poderia inaugurar uma "corrida armamentista', e afirmou que as conversas recentes com os EUA não fizeram com que a Rússia mudasse de posição.
Em entrevista coletiva em Viena, o presidente russo disse que não existe 'nenhuma justificativa para criar semelhante arma defensiva', e rejeitou os argumentos usados pelos americanos, de que o sistema protegerá a Europa de mísseis iranianos, já que estes não têm alcance para chegar no continente.
- Isso não levará a nada mais do que uma nova espiral na corrida armamentista. Acreditamos que isto é totalmente contraproducente - disse Putin, que compareceu perante os jornalistas ao lado do presidente austríaco, Heinz Fischer, no primeiro dos dois dias de sua visita oficial à Áustria.
Putin criticou a instalação de bases americanas na Bulgária e na Romênia, antigos países de influência soviética durante a Guerra Fria.
A Polônia e a República Tcheca, dois antigos aliados de Moscou no Pacto de Varsóvia, são os países escolhidos pelos EUA para instalar componentes do sistema defensivo americano no Leste Europeu.
O presidente russo afirmou ainda que os contatos mantidos com os EUA não alteraram a posição de Moscou, contrária ao sistema defensivo.
Na semana passada, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, viajou a Moscou para tentar amenizar a postura da Rússia, alegando que o escudo era direcionado contra possíveis ameaças do Irã e da Coréia do Norte.
No entanto, a Rússia acredita que o projeto americano de instalar o sistema antimísseis no Leste Europeu é uma 'ameaça direta' à segurança de Moscou. Em resposta, o país ameaçou retirar-se do tratado de Forças Convencionais na Europa (CFE).
Como única concessão, Putin admitiu que deviam 'ser escutadas as críticas sobre a situação dos direitos humanos na Rússia'.
O presidente disse que os direitos humanos também são violados na Europa, e reprovou a política de imigração da Áustria.
Mais tarde, o presidente russo censurou os subsídios concedidos pela UE aos criadores de gado dentro da Política Agrícola Comum (PAC).
Putin disse que a Rússia 'não pode permitir' os subsídios a produtos agrícolas, como a UE faz, após criticar o fato de o bloco europeu negar-se a discutir o problema.
- Devemos jogar com as cartas abertas. Queremos um diálogo bilateral - disse Putin, ao ser questionado sobre o bloqueio russo às importações de carne polonesa.
O primeiro dia de visita oficial à Áustria foi marcado, em grande parte, por acordos econômicos e assuntos bilaterais, como o que afeta a construtora austríaca Strabag, que obteve grandes contratos na Rússia.
O empresário russo Oleg Deripaska, um dos 10 homens mais ricos do país, acaba de comprar 30% da Strabag, com um investimento de ¬ 1 bilhão, e também adquiriu 20% da automotiva austro-canadense Magna também por ¬ 1 bilhão.
A Strabag conseguiu, em poucas semanas, desde a saída da Deripaska, triplicar as encomendas da companhia na Rússia, com obras de melhoria de infra-estrutura avaliadas em ¬ 2 bilhões.