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Mais uma vez somos vítimas no Líbano, dizem palestinos

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REUTERS

CAMPO MAR ELIAS (LÍBANO) - Hassan Abdel Ghani lembra-se de ter retirado palestinos feridos dos campos bombardeados por milícias libanesas durante a guerra civil, duas décadas atrás.

Imagens recentes de seus compatriotas fugindo de um campo de refugiados no norte do Líbano depois de a área ter sido bombardeada fizerem com que o médico aposentado chacoalhasse a cabeça consternado, na quarta-feira, no campo onde mora, localizado em Beirute.

- Os palestinos sempre foram o elo mais fraco da corrente no Líbano, o bode expiatório para os problemas do país - disse Abdel Ghani.

O episódio mais recente soa excessivamente familiar aos ouvidos de milhares de palestinos que fugiram da Galiléia para o Líbano quando Israel foi fundado, em 1948.

Os campos transformaram-se em alvo frequente de milícias israelenses, sírias e libanesas que se enfrentavam pelo controle do Líbano. Nesta semana, o campo de Nahr el-Bared foi bombardeado pelo Exército do Líbano, que enfrenta uma milícia islâmica estacionada ali.

- Bombardear o campo inteiro em nome de extirpar alguns combatentes é outra forma de subjugar os palestinos, fazendo com que aceitem qualquer esquema que o mundo nos apresente - afirmou o médico aposentado.

O Exército libanês tenta esmagar o grupo Fatah al-Islam, uma organização militante liderada por um palestino, mas com pouco ou nenhum apoio entre a população de refugiados palestinos presente no Líbano, de cerca de 400 mil indivíduos. Dezenas de pessoas morreram nos três dias de combate.

- Eu compreendo haver a necessidade de enfrentar os extremistas e de detê-los. Mas a forma como o Exército bombardeou o campo só pode significar que ele deseja ver os palestinos afundarem em uma miséria ainda maior - disse Souad Haj Hassan, mãe de três filhos.