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Relatório da AIEA deve revelar avanços nucleares do Irã

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REUTERS

VIENA - Inspetores atômicos devem relatar na quarta-feira que o Irã não só ignorou um prazo da Organização das Nações Unidas (ONU) para paralisar o enriquecimento de urânio como ampliou notavelmente o programa, expondo o país a sanções mais amplas.

Mas o chefe da agência nuclear da ONU diz que a estratégia das potências ocidentais de colocar o fim do enriquecimento como pré-condição para negociações está desatualizada, e que o certo seria limitar o programa a um nível que representaria pouco risco de levar a uma bomba nuclear.

O Ocidente suspeita que o Irã esteja usando seu programa nuclear como fachada para produzir bombas atômicas. Teerã garante que só está buscando uma fonte alternativa de energia.

Em comentários publicados na semana passada, Mohamed El Baradei, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) disse que o Irã parecia ter superado nos últimos meses vários obstáculos técnicos para passar o enriquecimento da fase de pesquisas para uma escala industrial.

- Acredito que a exigência (da suspensão) foi superada pelos fatos - disse El Baradei ao jornal espanhol ABC.

- Na ausência de garantias de que este seja um programa pacífico, o importante agora é concentrar em que o Irã não leve isso à escala industrial e que a agência tenha totais poderes de inspeção.

- Se alguém é capaz de sentar com a Coréia do Norte, apesar de ela (ter desenvolvido) armas nucleares, deveria ser capaz de fazer o mesmo com o Irã. Entretanto, detecto uma gradual escalada rebaixando as opções para uma solução pacífica.

Autoridades dos EUA dizem que seis potências mundiais já começaram a redigir uma terceira leva de sanções da ONU contra o Irã, ainda mais rígidas que as anteriores, diante da possibilidade, já anunciada por Teerã, de que o país não vai cumprir a ordem de suspender o enriquecimento até 24 de maio.

- As centrífugas (de enriquecimento) estão girando, e outras estão sendo construídas. As pessoas devem acordar e entender que o Irã tem conhecimento e que isso não pode ser tirado. Um acordo que livre a cara de todos é necessário - observou um diplomata em Viena, familiarizado com as inspeções.

O Irã instalou mais de 1.600 centrífugas até a primeira quinzena de maio, segundo diplomatas, quintuplicando seu potencial de enriquecimento desde o relatório de fevereiro da AIEA.

El Baradei disse ao ABC que 1.300 centrífugas funcionam 'continuamente', refinando o elemento físsil do urânio a um nível de 5 por cento, adequado para uso como combustível de usinas nucleares. Para uso em armas, o urânio precisa estar enriquecido a 80-90 por cento.

Com 3.000 centrífugas que devem estar operacionais até o fim de junho, Teerã levaria cerca de um ano para produzir material suficiente para uma bomba atômica, partindo do princípio de que o país esteja interessado nisso.