Agência EFE
RABAT - O escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) em Rabat, capital do Marrocos, permanece fechado desde sexta-feira, após a 'irrupção violenta' de um grupo de refugiados em sua sede, explicou nesta terça-feira o representante no país, Johannes van der Klaauwn.
Os refugiados, congoleses, entraram no edifício à força e agrediram 'gravemente' os funcionários, causando ferimentos no olho em um segurança. Depois, foram forçados a deixar o prédio, relatou Van der Klaauwn.
Após o incidente, o escritório da agência das ONU fechou as portas diante da negativa dos refugiados a abandonar a calçada em frente ao edifício, onde montaram um acampamento.
Desde então, dezenas de refugiados de diversas nacionalidades permanecem ali dia e noite para protestar. Eles alegam que no Marrocos seus direitos não são respeitados e pedem ajuda à Acnur, disse Fisto Massamba, representante do grupo.
A condição de refugiado político no Marrocos não inclui permissão de residência. Por isso, estas pessoas têm sérias dificuldades para encontrar trabalho e se sustentar. Massamba denunciou a 'falta de proteção e miséria' na qual vivem muitos refugiados, que têm de mendigar para comer.
Eles reivindicam ajuda econômica e uma 'assistência mensal'.
Mas Van der Klaauwn argumenta que 'em nenhum país do mundo', a Acnur concede um salário mensal aos refugiados. São os Estados que, em algumas ocasiões, ajudam economicamente estas pessoas para facilitar sua integração, explica.
O Marrocos não reconhece a condição de refugiado político e não só não concede ajudas mas várias vezes expulsa estrangeiros que têm ou pedem asilo político.
Johannes Van der Klaauwn assegurou que, apesar de a Acnur não pode 'conceder um salário' a cada refugiado, está pondo à disposição um programa de assistência, que trata de saúde, educação das crianças e focado especialmente no sustento econômico das pessoas.
- Iniciamos um programa de microprojetos que, na prática, apesar de permanecer no setor informal, está demonstrando que pode dar resultado - ressaltou.
O grupo de refugiados não pensa o mesmo. Segundo Massamba, o programa 'não oferece ao refugiado uma integração real. Sem residência legal no país, isto é impossível'.
A aproximadamente 50 pessoas permanecem na calçada do Acnur. Elas garantem que não sairão de lá até terem suas reivindicações atendidas.
Para Johannes Van der Klaauwn, é 'inadmissível o recurso à violência' como feito na sexta-feira.
- Como qualquer cidadão, eles estão obrigados a respeitar a lei e manter a ordem pública - disse.
O diplomata anunciou que amanhã irá a uma reunião com representantes dos refugiados para buscar uma solução, mas adiantou que a condição prévia é que eles desbloqueiem o local.