Agência EFE
DÍLI - O comandante rebelde Alfredo Reinado afirmou nesta terça-feira que não se renderá ao novo presidente do Timor-Leste, José Ramos Horta, porque desconfia dele.
- Não vou me entregar a curto prazo, talvez nunca. Como repeti muitas vezes a numerosos jornalistas, nossos dirigentes não desejam que eu me renda. Eles me querem morto - declarou Reinado à Efe por telefone, falando de um lugar secreto.
- Já sei o que o presidente Ramos Horta e o Governo do Fretilin (Frente Revolucionária do Timor-Leste Independiente) querem. Talvez Ramos Horta me queira vivo, mas não o Fretilin - acrescentou Reinado.
Ele é um dos 599 militares que foram expulsos das Forças Armadas no ano passado. O protesto público desencadeou uma profunda crise no país.
O comandante rebelde afirmou que os governantes querem evitar que ele revele os erros cometidos no ano passado pelo então primeiro-ministro Mari Alkatiri.
- Só me entregarei quando o partido Fretilin deixar o Governo, e quando as tropas da Austrália e Nova Zelândia abandonarem a nação - prometeu Reinado.
- Respeito o povo australiano, mas não o seu Governo, que atendeu ao chamado dos dirigentes timorenses para me capturar, como se eu fosse um Pablo Escobar ou um chefão mafioso que deveria morrer - comparou.
Ramos Horta, que assumiu o cargo de presidente da República Democrática do Timor-Leste no domingo, pediu ao líder rebelde que se entregasse.
"Peço a meu irmão, comandante Alfredo Reinado, que não tema a sua rendição para que possamos começar o diálogo e solucionar de maneira pacífica o problema', disse Ramos Horta.
O primeiro-ministro interino, Estanislau da Silva, do Fretilin, desmentiu a teoria de Reinado. Ele disse que o caso do comandante rebelde é um assunto judicial.
Timor-Leste realizará eleições parlamentares no dia 30 de junho próximo.