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Uruguaios marcham por desaparecidos em ditadura militar

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REUTERS

MONTEVIDÉU - Em rigoroso silêncio e portando os tradicionais retratos em branco e preto das vítimas da ditadura militar uruguaia (1973-1985), membros de organizações de direitos humanos marcharam no domingo para pedir justiça pelos desaparecidos durante o regime.

Milhares de pessoas caminharam pela avenida principal de Montevidéu para exigir também a anulação de uma anistia que limita os julgamentos dos acusados dos crimes.

A data escolhida para o ato recorda o assassinato dos políticos uruguaios Zelmar Michelini e Héctor Gutiérrez Ruiz, e dos militantes tupamaros Rosario Barredo e William Whitelaw, em Buenos Aires, em 1976.

Por esses crimes foram enviados à prisão, no fim do ano passado, o ex-presidente da ditadura Juan María Bordaberry --que agora tem prisão domiciliar por problemas de saúde-- e seu chanceler Juan Carlos Blanco.

Embora os familiares das vítimas da ditadura reconheçam avanços nas investigações, ainda consideram que falta muito a ser descoberto, principalmente por conhecerem o destino dos restantes de seus chegados.

- A verdade irá avançando, vai-se abrir caminho à força a partir do esforço da gente, assim como a memória e a justiça, disse a jornalistas o senador oficialista Rafael Michelini, filho do legislador morto em 1976.

A frase que este ano resumiu o espírito da marcha foi 'Onde estão? A verdade continua sequestrada. Nunca mais ao terrorismo do Estado'.

- 30 anos depois dos acontecimentos e 20 anos depois de recuperada a democracia, ainda temos mais de 200 desaparecidos, e queremos saber onde estão, explicou a uma rádio local Ignacio Errandonea, cujo irmão, Juan Pablo, desapareceu em Buenos Aires no mesmo ano em que morreu Michelini.

- O primeiro passo do 'Nunca mais' é a verdade, e o segundo é a justiça (mas) não tem existido uma informação oficial sobre o que se passou, não tem havido um 'mea culpa', não há ninguém arrependido nas Forças Armadas, acrescentou Errandonea.

O governo de Tabaré Vázquez, que assumiu em 2005 como primeiro presidente de esquerda do Uruguai, autorizou pela primeira vez a busca de tumbas clandestinas em unidades militares e prédios privados.

Na etapa inicial das escavações, foram encontradas apenas os ossos de duas pessoas, de um total de 200 uruguaios desaparecidos.

As investigações foram interrompidas por falta de novas informações, mas serão reiniciadas em breve após uma ordem de Vázquez.