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SÃO PAULO - Os militares dos Estados Unidos precisam manter sua ajuda à América Latina, sob risco de dar a China e Rússia uma chance de fincar um pé na região, segundo uma importante autoridade norte-americana de defesa.
Stepeh Johnson, novo secretário-assistente de Defesa dos EUA para o Hemisfério Ocidental, disse também que Washington não deve suspender seu apoio à Colômbia na luta contra guerrilheiros e narcotraficantes.
Seus comentários ocorrem enquanto parlamentares democratas relutam em aprovar um acordo comercial e em prorrogar o multimilionário pacote de ajuda à Colômbia, devido a preocupações com a situação dos direitos humanos sob o governo de Alvaro Uribe.
- Neste momento, as verbas para a assistência de segurança são magras, e os programas que podemos oferecer são limitados por complicadas sanções. Isso deixa um vácuo para potências como China e Rússia preencherem - disse Johnson em entrevista divulgada na segunda-feira no site do Comando Sul, com sede em Miami, que supervisiona operações militares dos EUA na América Latina e Caribe.
Os EUA, segundo ele, devem levar vantagem da sua posição 'bastante boa' na região e precisam se empenhar mais para atrair os países.
Sobre a Colômbia, um dos maiores comprometimentos militares dos EUA fora do Oriente Médio, o secretário-assistente afirmou que o governo Uribe teve sucesso em conter guerrilheiros e traficantes e em incentivar a economia.
- Mesmo assim, de repente nosso Congresso teve um caso de fadiga da Colômbia, uns poucos parecem não querer que tenha sucesso, porque são contra o governo (dos EUA) - afirmou.
Uribe é o principal aliado do governo Bush na América Latina, mas enfrenta dificuldades junto aos democratas especialmente por causa das ligações entre políticos governistas e paramilitares de ultradireita acusados de graves atrocidades.
Johnson disse que a punição a esses políticos deve ser considerada um resultado positivo de reformas judiciais, e não um revés.
- Agora não é hora de deixar a Colômbia - declarou.
As forças armadas latino-americanas tradicionalmente mantêm ligações estreitas com os militares dos EUA, mas alguns países relutam em se envolver na 'guerra ao terrorismo' e afirmam que o combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado são atribuições policiais.
Johnson afirmou que Washington precisa ouvir mais os interesses dos países parceiros, e que o desenvolvimento das instituições precisa ser parte de uma política de segurança dos EUA.
- Uma abordagem formada somente por considerações de segurança seria estreita e certamente entraria em conflito com objetivos políticos e econômicos - afirmou.
Alguns críticos dizem que os militares dos EUA estão solapando governos civis ao querer que problemas sociais sejam tratados como ameaças de segurança e ao assumir projetos sociais que estariam melhores nas mãos de agências civis.