ASSINE
search button

Polícia se prepara para invadir mesquita no Paquistão

Compartilhar

REUTERS

ISLAMABAD - As forças de segurança paquistanesas detiveram cerca de 40 radicais religiosos neste domingo em Islamabad, onde dois policiais estão sendo mantidos como reféns em uma mesquita por estudantes e clérigos de linha dura.

Dentro do complexo de Lal Masjid, ou Mesquita Vermelha, o clérigo que lidera o movimento estudantil fez declarações desafiadoras por meio de um alto-falante, enquanto seus seguidores acenavam com pedaços de pau dos muros e telhados.

- Estamos prontos para lutar, estamos prontos para morrer, mas não vamos recuar - gritou Maulana Abdul Aziz, enquanto os estudantes respondiam gritando compassadamente a palavra 'Jihad'.

Os radicais foram detidos em diferentes partes da cidade, longe da mesquita, mas com o objetivo de tentar evitar mais problemas, disse o sub-comissário Chaudhry Mohammed Ali, um dos administradores seniores da capital.

- Terminamos os preparativos e quando recebermos ordens das autoridades lançaremos uma repressão - disse Ali a jornalistas, enquanto a polícia bloqueava as ruas ao redor da mesquita, que fica no coração da capital.

Os estudantes espalharam pedras e barras de aço pela rua que leva à mesquita, na expectativa de um ataque. O governo parece relutante em ordenar a invasão porque o complexo também abriga uma escola religiosa para garotas chamada Jamia Hafsa.

- O governo não planeja qualquer operação contra Jamia Hafsa ou a mesquita - disse o brigadeiro reformado Javed Iqbal Cheema, porta-voz do Ministério do Interior.

- Não vamos deixar as coisas saírem do controle. Não se trata de inimigos, mas do nosso próprio povo, e esperamos que isso seja resolvido através do diálogo.

A mesquita está em desacordo com as autoridades desde janeiro, quando as estudantes ocuparam uma biblioteca ao lado do complexo da mesquita em protesto contra a destruição de diversas mesquitas construídas ilegalmente em terra pertencente ao Estado.

O governo vem procurando apaziguar os radicais, dizendo-lhes que cuidará das suas reivindicações, e o líder do partido do governo, a Liga Muçulmana do Paquistão, disse no mês passado que todas as questões haviam sido resolvidas amigavelmente por meio de negociações.

Na sexta-feira, porém, os estudantes seqüestraram quatro policiais à paisana e exigiram que as autoridades libertem 11 camaradas que estão detidos.

Dois policiais foram libertados um dia depois, no que um clérigo sênior disse ser um 'gesto de boa vontade' e um tribunal de Islamabad concedeu fiança para cinco dos estudantes detidos. A polícia, porém, disse que a fiança não havia sido paga e, por isso, os estudantes continuavam detidos.

No domingo, dois estudantes foram libertados.

Mas um clérigo da mesquita disse que os dois policiais restantes só seriam libertados quando todos os estudantes estivessem em liberdade.

Pessoas que visitaram o complexo de Lal Masjid viram alguns homens armados de Kalashnikovs, e a maioria dos estudantes portava bastões como armas.

No mês passado, Maulana Aziz ameaçou lançar ataques suicidas se o governo usasse a força para impedir o seu movimento de estabelecer os seus próprios tribunais islâmicos.

A ofensiva dos radicais islâmicos está sendo chamada pela imprensa de 'talibanização' do Paquistão.