Agência EFE
WASHINGTON - A Casa Branca descreveu hoje o ex-presidente Jimmy Carter como 'irrelevante', um dia após a afirmação de Carter de que a política de relações internacionais do atual Governo é 'a pior da história'.
Carter disse no sábado ao jornal 'Arkansas Democrat-Gazette' que, "no que diz respeito ao impacto negativo dos Estados Unidos ao redor do mundo, esta Administração foi a pior da história'.
O porta-voz da Casa Branca Tony Fratto respondeu hoje aos ataques.
"Acho triste que as imprudentes críticas do presidente Carter tenham sido feitas', afirmou Fratto. 'Acho que as críticas são infelizes, e demonstram que Carter é cada vez mais irrelevante', acrescentou.
Carter vem criticando o Governo do presidente George W. Bush há algum tempo, embora a Casa Branca tenha evitado até agora responder aos comentários.
O ex-presidente disse no sábado que Bush tinha abandonado os valores básicos defendidos por outros Governos, inclusive os de George Bush, Ronald Reagan, Richard Nixon.
Lamentou também a filosofia de guerras preventivas que domina a política externa americana.
- Abraçamos o conceito de guerras preventivas, nas quais se empreende um conflito militar com outra nação mesmo que nossa segurança não esteja diretamente ameaçada - afirmou Carter, acrescentando que essa filosofia representa uma mudança radical frente a outras Administrações.
O ex-presidente se mostrou preocupado com a tendência atual da Casa Branca de canalizar fundos para grupos religiosos.
- Sempre acreditei na separação entre Igreja e Estado, e honrei essa premissa quando fui presidente, da mesma forma que os outros governantes, com exceção deste - disse.
Carter também denunciou hoje o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, em uma entrevista à rádio da 'BBC' na qual descreveu o apoio de Blair às políticas de Bush como 'abominável, leal, cego e aparentemente servil'.
- Acho que o firme respaldo da Grã-Bretanha às erradas políticas do presidente Bush no Iraque foi uma enorme tragédia para o mundo - concluiu.
Carter, que foi presidente entre 1977-1981 e recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2002, foi um aberto opositor à Guerra do Iraque antes de seu início, em março de 2003.