Agência EFE
TAIWAN - O presidente taiuanês, Chen Shui-bian, dirigiu neste sábado uma cerimônia para revelar o novo nome do "Monumento a Chiang Kai-shek", que passará a se chamar "Monumento à Democracia", em mais um passo de sua luta para apagar a memória do ditador da ilha.
- O nome do templo dedicado a um ditador está sendo mudado para ''Democracia'', que pertence a todo o povo. Essa mudança não é ilegal, mas protege o espírito democrático, afirmou Chen, lembrando também os 58 anos do pronunciamento da Lei Marcial, sob a qual Taiwan permaneceu até 1987.
Centenas de descendentes das vítimas da repressão das tropas de Chiang Kai-shek em Taiwan, em 28 de fevereiro de 1947, assistiram à mudança de nome, em meio à presença de mais de 700 policiais.
Chiang lutou contra Mao Tsé-tung e, após sua derrota na China, controlou os destinos de Taiwan até sua morte.
Um opositor do atual presidente taiuanês entrou em conflito com a Polícia e, antes de ser detido, ergueu um cartaz que dizia "Presidente corrupto. A democracia morreu", em referência aos processos por corrupção ligados à esposa do líder, Wu Shu-chen.
O prefeito de Taipé, Hau Lung-ping, filho de um ex-chefe do Estado-Maior que chegou à ilha com Chiang, aceitou sem entusiasmo os planos do Governo central - controlado pelo Partido Democrata Progressista (PDP), de caráter independentista - e exigiu que o novo nome não levasse a nenhuma mudança no monumento original.
Os desejos do principal descendente de Chiang Kai-shek, John Chiang, ex-ministro das Relações Exteriores, de "separar história e política" não parecem possíveis no atual ambiente político de Taiwan.
As queixas do descendente de Chiang e de milhões de taiuaneses que ainda consideram Chiang Kai-shek o "salvador do perigo comunista" são contrapostas a um coro de opositores que consideram o monumento uma relíquia da tirania.
- Chiang Kai-shek é um ditador e o responsável pelo terror branco e pelo massacre de milhares de taiuaneses em 28 de fevereiro de 1947, disse o secretário-geral do PDP, Yu Hsyi-kun.
A polêmica envolvendo Chiang ameaça desencadear atos de violência em torno do monumento. O local é um de seus últimos refúgios na ilha, após a destruição ou transferência de milhares de estátuas suas de acampamentos militares, ruas e praças de Taiwan.
A tentativa de apagar todos os vestígios de Chiang Kai-shek na ilha faz parte de uma campanha do presidente Chen Shui-bian para afirmar a identidade taiuanesa, separando-a da China, já que Chiang foi o dirigente chinês que tomou o controle da Ilha de Formosa depois que o Japão saiu do local.
O Japão controlou Taiwan de 1895 até 1945. Nessa data, o general chinês tomou o controle da ilha e, em 1949, transferiu-se para o local, após sua derrota frente a Mao Tsé-tung.
Chiang governou a ilha com mão de ferro durante o resto de sua vida, até 1975.
Após a morte do filho de Chiang, Chiang Ching-kuo, que controlou Taiwan de 1978 até 1987, subiu ao poder o primeiro líder de origem taiuanesa, Lee Teng-hui, que iniciou um processo de democratização e "taiwanização" da ilha.
Desde que chegou ao Governo, em 2000, Chen Shui-bian, lançou uma campanha para fortalecer a identidade taiuanesa de forma a separá-la permanentemente da China. O processo incluiu a eliminação das pegadas de Chiang Kai-shek em Taiwan e da palavra "China" dos nomes de órgãos e empresas públicas.
Até agora, Chen mudou a capa do passaporte taiuanês, onde, em vez de "República da China", aparece "Taiwan". Além disso, o nome do aeroporto Chiang Kai-shek mudou para Aeroporto Internacional de Taoyuan, e o dos Correios da República da China, para Correios de Taiwan.
Entre as empresas públicas, a China Shipbuilding Co. agora é chamada de Taiwan Shipbuilding Co., e a Chinese Petroleum Corp. passou a ser conhecida como Taiwan CPC.
A oposição, que controla a Prefeitura de Taipé e o Parlamento, tenta frear a campanha de Chen, e conseguiu que as autoridades da cidade qualificassem o monumento a Chiang Kai-shek como monumento histórico provisório, o que evita mudanças arquitetônicas.
O Governo taiuanês, por meio de um decreto, conseguiu a mudança do nome para "Monumento Nacional à Democracia".