Agência JB
NOVA DÉLHI - A cidade de Hyderabad, no sul da Índia, amanheceu neste sábado com um clima de tensão após o atentado registrado na sexta-feira em uma mesquita, e depois das informações de que alguns dos 16 mortos foram causados pelos tiros da Polícia.
- Onze pessoas perderam a vida na explosão dentro da mesquita durante as orações, e cinco morreram sob fogo policial na cidade antiga após o atentado - disse neste sábado o governador da região de Andhra Pradesh, E. S. Rajshekhar Reddy, em declarações citadas pela agência indiana 'PTI'.
Em Hyderabad, as lojas permaneceram fechadas e os concursos públicos foram adiados, após uma greve convocada em protesto contra a brutalidade policial.
O atentado aconteceu dentro da mesquita Mecca, uma das maiores e mais antigas da Índia, auando milhares de fiéis se preparavam para fazer as orações tradicionais da sexta-feira por volta das 13h30.
Havia quatro bombas escondidas em marmitas na mesquita, mas apenas uma delas explodiu, enquanto as outras foram desativadas depois pela Polícia.
A explosão gerou pânico entre os fiéis, que fugiram rapidamente do local. Do lado de fora do centro religioso, as pessoas manifestaram-se violentamente contra as forças de segurança, que reprimiram os protestos com tiros e material antidistúrbios.
Os mortos e os 61 feridos foram levados a um hospital próximo, onde um exame posterior revelou que algumas vítimas apresentavam ferimentos de bala, informou o canal de televisão indiano 'NDTV'.
Anteriormente, o governador regional tinha reconhecido, em comunicado, a morte de 'duas ou três pessoas' devido à atuação policial. Mais tarde, porém, desculpou-se pela ação da Polícia, afirmando que pedirá uma investigação 'se os fatos exigirem'.
Reddy estava em Nova Délhi quando ocorreu o atentado e antecipou seu retorno a Hyderabad depois que soube do incidente. Hoje, o governador visitou a mesquita, aproveitou para anunciar indenizações às famílias das vítimas e pedir calma.
O anúncio de Reddy foi feito após as primeiras investigações da Polícia, que anunciou neste sábado ter encontrado um cartão de celular junto a um dos artefatos que não explodiram.
O objeto pertenceria a um membro do grupo terrorista islâmico Harkat-ul-Jihad-al-Islami (HuJI). Com isso, os investigadores afirmam que existe uma conexão direta entre o atentado de sexta-feira e as explosões que ocorreram na cidade de Malegaon, no oeste do país, em 8 de setembro de 2006.
Na ocasião, duas bombas colocadas próximas a uma mesquita, também em dia de oração, causaram a morte de 31 pessoas em uma região que já tinha sofrido graves conflitos religiosos.
"É um atentado terrorista que busca gerar conflitos entre as diversas comunidades religiosas da Índia', afirmou, em Hyderabad, o ministro do Interior indiano, Shivraj Patil.
O ministro visitou hoje a mesquita onde ocorreu o atentado junto com Reddy.
A mesquita Mecca é considerada sagrada pelos islamitas em Hyderabad, capital da região de Andhra Pradesh, onde os muçulmanos somam 10% da população.
As autoridades já anunciaram uma ajuda de cerca de ¬ 9 mil, casa e emprego público às famílias das vítimas fatais, incluindo as das supostas vítimas das ações da Polícia.
Enquanto isso, em Hyderabad, a busca pelo menino Salman, de 10 anos Salman e que desapareceu após a explosão na mesquita, teve hoje um final feliz, após um dia de incerteza: a criança estava sozinha e levemente ferida em outro hospital.