Agência EFE
MANILA - As eleições legislativas e locais da segunda-feira confirmaram o poder de duas das dinastias políticas mais influentes das Filipinas: a família do ex-ditador Ferdinand Marcos e a da atual presidente, Gloria Macapagal Arroyo.
Os resultados oficiais demorarão vários dias para ser divulgados. Mas a imprensa local informa nesta sexta-feira que a província de Ilocos Norte, o berço do ditador, continua em poder de seus descendentes. Seu sobrinho Michael Marcos se elegeu governador, vecendo Rodolfo Farinas.
Além disso, Ferdinand 'Bong Bong' Marcos, filho do ditador, que era governador da província, obteve uma vaga no Congresso. Agora o clã terá dois representantes no Parlamento, onde Imeé, a filha mais velha de Marcos, já ocupava uma cadeira.
O clã usou toda a sua máquina eleitoral para confirmar as suas posições na província. Imelda, a viúva de Marcos, trabalhou como assessora da campanha de seu filho e de seu sobrinho.
O resultado também foi bom para a família de Macapagal Arroyo, que em várias ocasiões afirmou ser contra o monopólio de dinastias políticas que usam sua riqueza e influência para manter o poder.
Segundo a rede 'ABS-CBN', dois de seus filhos, Diosdado e Juan Miguel Arroyo, se elegeram para o Congresso.
Além disso, um cunhado, José Ignacio Arroyo, está virtualmente eleito para o Congresso por Negros Occidental, província de origem da família do empresário José Miguel Arroyo, marido da presidente.
Os Marcos e os Macapagal são apenas uma parte do mapa político das Filipinas, dominado por mais de 100 clãs políticos.
Alguns analistas ressaltaram que não se pode falar de verdadeira democracia nas Filipinas, já que o poder está em mãos de uma elite que se perpetua na base do clientelismo.
A violência marcou as eleições, com mais de 100 assassinatos (entre candidatos e simpatizantes) e constantes denúncias de fraude.