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China pode ajudar a recuperar infra-estruturas em Angola

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Agência EFE

ANGOLA - O interesse da China pela África nos últimos anos e sua crescente cooperação com Angola podem representar para o país africano uma oportunidade de reconstruir suas infra-estruturas destruídas pela guerra, disse nesta quarta-feira à agência Efe Manuel da Costa, diretor de estudos do Ministério das Finanças angolano.

Ele avaliou a possibilidade durante a assembléia de governadores do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), realizada este ano em Xangai, com o lema África e Ásia: parceiros no desenvolvimento.

Angola participa do encontro com a esperança de captar mais investimentos no Oriente.

- Após uma guerra civil de 27 anos, que terminou em 2002, Angola precisa de um grande volume de financiamento para reconstruir a sua estrutura básica, com base na qual o setor privado possa se desenvolver - explicou Costa.

A cooperação com a China "cria uma perspectiva de benefícios mútuos", acrescentou.

- Ainda não há grandes investimentos significativos, em termos comerciais e de facilidades de crédito - disse o ministro. Mas ele admitiu que a China tem aumentado a sua presença no país. Com um investimento de US$ 300 milhões, está reabilitando uma ferrovia estratégica, entre Benguela, no litoral atlântico, e Luau, junto à fronteira com a República Democrática do Congo.

Angola conta com a segunda maior reserva petrolífera da África, atrás apenas da Nigéria. O país tem uma importância estratégica para a China. Desde 2006 é o seu principal fornecedor de petróleo, à frente de Irã e Arábia Saudita.

Desde 2004 a China é o maior consumidor do petróleo angolano.

A maior refinaria chinesa, a Sinopec, está presente em Angola explorando três centros de produção, com reservas provadas de 3,2 bilhões de barris. A firma chinesa pode extrair até 100 mil barris diários.

A China entrou em Angola com um crédito de US$ 2 bilhões, por conta de futuras entregas de petróleo. O valor está sendo destinando a reabilitar obras de infra-estrutura destruídas pela guerra civil, principalmente ferrovias, aeroportos, hospitais e escolas.

A guerra chegou a paralisar projetos financiados pelo Fundo Africano de Desenvolvimento (FAD).

- Durante o conflito, o próprio BAD não tinha quase investimentos em Angola, e hoje o país recebe do órgão um financiamento equivalente a US$ 45 milhões - lembrou o ministro.

- Só em 2007, as participações de investimentos previstas no orçamento nacional são de perto de US$ 7 bilhões - comentou.

Angola espera da Ásia investimentos na reconstrução de infra-estruturas de transporte, telecomunicações, água potável e eletricidade, além da capacitação de recursos humanos, para dar aos investidores "um rendimento mais rápido e eficaz", concluiu Costa.

O Fundo Monetário Internacional calcula que Angola pode alcançar um crescimento econômico recorde de 31,4% em 2007. O seu PIB aumentou 14,3% no ano passado.