Agência EFE
DÍLI - O presidente em fim de mandato do Timor-Leste, Xanana Gusmão, foi homenageado hoje num ato de despedida, em Díli, presidido por José Ramos Horta, o vencedor das eleições presidenciais, que anunciou que seguirá a política de seu antecessor quando ocupar a Presidência.
Após a cerimônia, Ramos Horta disse aos jornalistas que o ato tinha como objetivo prestar homenagem a Gusmão e às suas conquistas durante seu mandato de cinco anos.
- Não é fácil seguir o caminho do presidente Xanana. Mas eu tentarei, porque ele estabeleceu as raízes e eu continuarei trabalhando de acordo com a Constituição - disse o Prêmio Nobel da Paz de 1996.
Ramos Horta acrescentou que seguirá a trilha do diálogo para evitar atos violentos como os de há um ano, quando o Timor-Leste sofreu a mais grave crise desde que a sua independência, devido a atritos dentro do Governo e das forças de segurança.
- Seguirei seu exemplo de dirigir o diálogo entre a sociedade civil, a Igreja Católica e outros grupos com o Governo e o Parlamento como órgãos soberanos do Estado para resolver nossas diferenças - declarou Ramos Horta.
Gusmão respondeu que está disposto a ajudar Ramos Horta sempre que for necessário. E lembrou que não abandonará a arena política, já que vai disputar as eleições legislativas de 30 de junho com o Conselho Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), partido que fundou no mês passado.
O atual presidente é um dos favoritos ao posto de primeiro-ministro.
Na última segunda-feira, a Comissão Eleitoral Nacional anunciou oficialmente a vitória de Ramos Horta no segundo turno das eleições presidenciais de 9 de maio. Ele teve uma ampla vantagem sobre o seu rival, Francisco Guterres, do partido governamental Fretilin.
O secretário-geral do Fretilin, o ex-presidente Mari Alkatiri, denunciou hoje que várias casas de membros do partido foram incendiadas nas últimas 24 horas, numa campanha para intimidar os militantes nas eleições legislativas.
Alkatiri pediu à Polícia da ONU que abra uma investigação sobre o caso. Ele declarou que desde meados de 2006 existe uma estratégia para destruir a base do partido e derrubar o Governo eleito de maneira democrática.