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Ocidente deve se adaptar a avanço atômico do Irã, diz El Baradei

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REUTERS

VIENA - O progresso iraniano em enriquecer urânio tornou irrealista a tentativa das potências mundiais de evitar que Teerã conquiste capacidade nuclear, segundo o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), Mohammed El Baradei.

Ele não contestou a exigência do Conselho de Segurança da ONU para que o Irã suspenda o enriquecimento em troca do fim das sanções ao país. Teerã rejeita as suspeitas ocidentais de que estaria desenvolvendo bombas atômicas, pois alega que o programa nuclear é apenas para a geração de eletricidade com fins civis.

- Muito claramente, a suspensão é uma exigência do Conselho de Segurança, e esperaria que os iranianos ouçam a comunidade mundial, disse El Baradei, segundo comentários divulgados pela AIEA.

- Mas, da perspectiva da proliferação ñde armasí, o fato é que um dos propósitos da suspensão -- impedi-los de obter o conhecimento -- foi superado pelos fatos, disse ele.

Desde o início do ano, o Irã instalou mais de 1.600 centrífugas de enriquecimento, divididas em dez redes autônomas numa usina subterrânea, segundo diplomatas. O governo diz que até junho pretende ter 3.000 centrífugas, o que lhe permitiria enriquecer urânio em 'escala industrial'.

A uma semana do envio de um relatório da AIEA sobre o Irã ao Conselho de Segurança, El Baradei disse que seria mais sensato limitar o enriquecimento a uma fase pré-industrial, ao invés de tentar congelá-lo totalmente.

- Até que todas as questões de verificação sejam esclarecidas, e a agência seja capaz de verificar a natureza pacífica do programa nuclear do Irã, o foco deve ser impedi-los de passar à produção em escala industrial, para nos permitir uma inspeção plena e ter certeza de que eles continuam dentro ñdo Tratado de Não-Proliferação Nuclearí, afirmou El Baradei.

Citando o orgulho nacional e o direito soberano à energia nuclear para o desenvolvimento econômico, o Irã rejeita a suspensão das atividades, durante ou mesmo como resultado de negociações.

- Acreditamos que eles têm conhecimento sobre como enriquecer. A partir de agora, é simplesmente uma questão de aperfeiçoar esse conhecimento. As pessoas não vão gostar de ouvir isso, mas esse é o fato, disse El Baradei.

Se o futuro relatório da AIEA declarar, como se prevê, que o Irã ignorou um prazo de 23 de maio estabelecido pelo Conselho de Segurança para suspender o enriquecimento, o país pode sofrer uma terceira e mais dura rodada de sanções da ONU.