ASSINE
search button

Israelense confessa assassinato e diz que queria matar um árabe

Compartilhar

Agência EFE

JERUSALÉM - Um judeu francês recentemente naturalizado israelense confessou que assassinou um taxista de origem palestina porque tinha decidido matar um árabe, informa nesta terça-feira a imprensa de Israel.

Julian Soufir, de 26 anos, morador de Tel Aviv, foi ontem pela manhã a Jerusalém, porque achou que ali seria mais fácil encontrar um árabe.

Na cidade, o ultra-fundamentalista pegou o táxi de Taysir Karaki, de 35 anos, e pediu para ser levado de volta a Tel Aviv. Lá, conseguiu convencer o taxista a subir até a sua casa, aparentemente para utilizar seu banheiro, e cortou a sua garganta.

A Polícia descobriu o crime por acaso, numa fiscalização rotineira. Soufir disse a uma dupla de agentes que tinha feito algo em seu apartamento e pediu que eles subissem para ver.

Na casa, os policiais encontraram a vítima estendida no chão.

A Polícia estuda prorrogar a detenção do irmão do suposto assassino, já que os dois estavam juntos quando foram detidos.

Ao que parece, Soufir não conhecia a vítima. Mas a Polícia vê claros sinais de que o assassinato foi premeditado.

- Não sabemos se foi planejado duas horas ou duas semanas antes, mas foi - disse ao jornal Ha'aretz o chefe da Polícia de Yarkon, o brigadeiro-general Hagai Dotan.

O pai da vítima explicou ao jornal que o seu filho, natural de Beit Hanina, a norte de Jerusalém, levou ontem de manhã seus quatro filhos à escola antes de começar a trabalhar. - Ele era um bom homem, que não estava metido em política e só queria dar uma vida digna a seus filhos - acrescentou.

Os deputados árabes acusaram a direita israelense de criar um clima de ódio contra os árabes, incentivando o crime.

- Transformar as palavras em atos era só questão de tempo, pois a incitação contra os árabes legitima esses atos - denunciou Said Napa, do partido Balad.

Mohamad Barakeh, do ex-comunista Hadash, ligou o caso ao perdão do derramamento de sangue palestino e ao fato de que causar dano aos árabes é legítimo.