Premier da Ucrânia acusa Yushchenko de violar acordo

Agência EFE

KIEV - O primeiro-ministro da Ucrânia, Viktor Yanukovich, acusou nesta quinta-feira o presidente do país, Viktor Yushchenko, de violar o acordo fechado para resolver a atual crise política e pediu a mediação urgente da União Européia (UE) e da Rússia.

O chefe de Governo "apela aos dirigentes dos países vizinhos da Ucrânia para que atuem sem demora como mediadores internacionais na crise política", informou a assessoria de imprensa de Yanukovich.

- A postura neutra de nossos parceiros estratégicos não contribui para a solução do conflito político e só encoraja o presidente na hora de cometer atos ilegais - diz a nota do primeiro-ministro.

Yanukovich acrescenta que, "se a situação continuar evoluindo pelo mesmo caminho que agora, acabará em um agravamento do confronto civil e alimentará o perigo de uma divisão do país".

Yushchenko destituiu mais um juiz do Tribunal Constitucional do país, o terceiro desde o início da crise.

Yanukovich denuncia que o ato é uma violação do acordo fechado no último dia 4 para superar a crise e realizar eleições parlamentares antecipadas.

O texto acrescenta que a própria crise política foi provocada pela decisão do presidente de dissolver a Rada (Parlamento) e convocar eleições antecipadas.

Em Moscou, o porta-voz da Chancelaria russa, Mikhail Kaminin, declarou que a Rússia está disposta a mediar a crise ucraniana se as autoridades de Kiev permitirem.

Em Bruxelas, a comissária européia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, disse que a UE deve "abster-se de mediar nesse assunto interno enquanto permanecer um processo democrático", segundo a agência russa "Interfax".

Enquanto isso, o presidente ucraniano, que tinha rejeitado qualquer mediação externa nessa crise, reuniu nesta quinta-feira o grupo de trabalho criado após o acordo para desenhar um marco legal que garanta a normalidade das eleições antecipadas.

Yushchenko reprovou a pouca eficiência do grupo para decidir as condições do pleito e concordar sua data. Ele também voltou a declarar que não revogará a dissolução da Rada, controlada pela coalizão majoritária de Yanukovich.

O presidente ucraniano dissolveu a Rada em 2 de abril, depois de acusar a coalizão de uma política ilegal de troca de partidos para acumular poder. A Câmara e o Governo de Yanukovich se negaram a cumprir o decreto de dissolução e recorreram ao Tribunal Constitucional.

Ao dissolver a Rada, Yushchenko convocou eleições parlamentares antecipadas para 27 de maio; depois adiou-as para 24 de junho.

Após o acordo, Yushchenko disse que o pleito antecipado deveria ocorrer 60 dias depois que a Rada aprovar as leis e emendas estipuladas. Já Yanukovich insistiu que as eleições aconteçam no terceiro trimestre.