Porta-voz confirma que renúncia de Tony Blair sai na quinta-feira

Agência EFE

LONDRES - O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, anunciará na próxima quinta-feira sua renúncia como chefe de Governo e líder do Partido Trabalhista, confirmou nesta quarta-feira um porta-voz de seu gabinete em Downing Street.

As fontes afirmaram que Blair deve fazer o anúncio aos seus ministros, para depois viajar à sua circunscrição eleitoral de Sedgefield, no norte da Inglaterra, para tornar pública sua decisão aos seus eleitores.

- Não haverá uma declaração do primeiro-ministro à imprensa em Downing Street - ressaltou o porta-voz.

A imprensa e círculos políticos também esperam o anúncio, que dará início a uma disputa por sua sucessão, na qual o ministro da Fazenda, Gordon Brown, é considerado o favorito.

A renúncia como líder do partido não representará a saída imediata de Blair à frente do Governo. Ele ocupará o cargo até os trabalhistas escolherem seu sucessor.

No último dia 1º, Blair tinha confirmado que ao longo desta semana faria um anúncio definitivo sobre seu futuro, o que foi interpretado em círculos políticos como a divulgação de sua saída após dez anos no poder.

Nesta quarta-feira, o líder da oposição conservadora, David Cameron, disse na sessão semanal de perguntas ao primeiro-ministro na Câmara dos Comuns que ele anunciará amanhã a renúncia, sem que Blair, presente, contestasse ou negasse tal afirmação.

Na sessão parlamentar, Blair assegurou que nas próximas sete semanas - em clara referência à duração do processo de escolha do seu sucessor no partido - não haverá paralisações em seu Governo e que se dedicará a assuntos como educação e ordem pública.

Um porta-voz de Downing Street não quis revelar detalhes da agenda de Blair para esta semana, mas a imprensa britânica afirma que o primeiro-ministro pode informar antes para a rainha Elizabeth II sobre a intenção de abandonar a liderança trabalhista.

A atitude, no entanto, seria apenas por cortesia, pois não há nenhuma exigência constitucional que obrigue Blair a notificar sua renúncia à frente do partido para a monarca.

O anúncio deve ser feito depois que Blair ter participado em Belfast, na terça-feira, da restauração da autonomia da Irlanda do Norte com a formação de um Governo local compartilhado entre antigos inimigos: os unionistas protestantes e os republicanos católicos.

O processo de paz - que deu os primeiros passos no final de 1993, mas recebeu impulso com a chegada de Blair ao poder em 1997 - é considerado o legado mais importante do líder trabalhista.

De acordo com o calendário provisório divulgado pelo Comitê Executivo Nacional do partido, após a renúncia, começará um processo de sete semanas para escolher o novo líder.

A expectativa é que Brown anuncie rapidamente a intenção de ser candidato à liderança do partido, para o qual precisará do apoio de 45 deputados da formação.

Até agora, os únicos rivais que se atreveram a desafiar o atual ministro da Fazenda foram os deputados John McDonnell e Michael Meacher, ambos da ala esquerdista do partido. Ainda não se sabe, no entanto, se conseguirão reunir as 45 assinaturas necessárias.

Com o fim do prazo para a apresentação das candidaturas, em torno de 16 de maio, os aspirantes começarão uma campanha de três semanas antes que deputados, membros do partido e sindicatos depositem seus votos.

O processo terminará com uma conferência especial trabalhista que confirmará o vencedor, possivelmente no final de junho ou início de julho.

Brown parece ter o caminho livre depois que vários possíveis rivais descartaram as candidaturas. O ministro do Meio Ambiente, David Miliband, o do Interior, John Reid, e o antecessor do primeiro-ministro no cargo, Charles Clarke, confirmaram que não concorrerão.

Com a escolha do novo líder, Blair comparecerá ao Palácio de Buckingham, residência oficial da Família Real britânica, para entregar oficialmente os 'selos do cargo' para a Rainha, que chamará seu sucessor para pedir que forme o Governo.