Crescimento urbano desordenado é um grave problema para Machu Picchu

Agência EFE

LIMA - A construção de casas e estabelecimentos nos arredores da cidadela inca de Machu Picchu é um dos principais problemas que afetam este importante centro arqueológico, segundo um relatório oficial divulgado nesta quarta-feira.

Nos arredores da cidadela histórica, localizada próxima à cidade de Cuzco, há um povoado que cresceu de forma desordenada, para abrigar turistas e atender às necessidades dos cerca de 3 mil turistas que visitam a região diariamente.

A parlamentar Alda Lazo, presidente da Subcomissão de Cultura e Patrimônio Cultural do Congresso peruano, divulgou hoje um relatório sobre as conclusões das mesas de trabalho organizadas por ocasião da visita efetuada por uma delegação da Unesco, no fim de abril, para avaliar o estado de conservação de Machu Picchu.

- A ocupação não planejada dos espaços públicos, desde o terminal do trem, operado pela PerúRail, até a entrada em Machu Picchu, afeta não só a estética da região, mas a segurança dos visitantes, pois impede a livre circulação na área - afirmou.

A congressista denunciou que o Poder Judiciário autorizou permissões de construção na cidade vizinha de Aguas Calientes, próxima a Machu Picchu, que anteriormente haviam sido negadas pelo Instituto Nacional de Cultura (INC) e pelo Instituto Nacional de Recursos Naturais (Inrena).

- Esta situação não pode continuar. Tem que haver um ordenamento nesta região - disse Lazo.

Entre as recomendações feitas, está a atualização do Plano Maestro de Machu Picchu, feito pelo Estado peruano, para a preservação da região histórica. Da mesma forma, foi proposta a criação do Instituto Internacional de Pesquisa Multidisciplinar do Santuário de Machu Picchu.

Ao término de sua visita de trabalho, a missão da Organização das Nações Unidas para a Ciência, a Educação e a Cultura (Unesco) ratificou o bom estado de conservação arqueológica de Machu Picchu, o principal destino turístico do Peru.

Os analistas inspecionaram Machu Picchu em 25 de abril, para avaliar se lhe retira ou não o título de Patrimônio Histórico e Natural da Humanidade, outorgado em 1981.

Durante as reuniões de trabalho, das quais participaram autoridades do setor turístico, prefeitos e empresários, foi pedida a conclusão do Caminho Inca, via que atravessa territórios de Bolívia, Colômbia, Equador, Argentina, Peru e Chile.

A cidadela de Machu Picchu, que está localizada em um parque natural de 32 mil hectares, é uma das candidatas no concurso para escolher as Sete Novas Maravilhas do Mundo, promovido pelo suíço Bernard Weber.